Conhecer Deus

Leitura de Domingo, 29 Março 2020
Laurence Freeman, OSB

extraído do livro Jesus - O Mestre Interior (São Paulo: Martins Fontes, 2004) pg. 282.

Para muitas pessoas, isso parece demasiado simples. Para as pessoas religiosas, a meditação também pode parecer totalmente bizarra, “não se parecendo em nada com a prece”. Como pode ser prece se não se está pensando em Deus? Elas se perguntam: onde está a fé neste vácuo de silêncio e tranquilidade?
Decididamente, precisamos querer aprender que o objetivo fundamental da prece é se afastar do pensar em Deus ou imaginar alguma coisa. Se você deseja entendê-lo, disse Santo Agostinho, “não se trata de Deus”. O meditador ocidental excessivamente cerebral terá, a princípio, que aceitar que, embora o pensamento e a imaginação sejam atividades naturais e contínuas da mente, existe uma mente ainda mais profunda que repousa na tranquilidade vigilante.
A meditação nos ensina a aceitar que, subjacente a toda atividade mental, está a própria consciência. O convite inerente à existência humana é ir mais fundo que todos os níveis da mente até a consciência pura que impregna toda a realidade e que é chamada de espírito. Com a prática regular, a meditação aos poucos acalma a hiperatividade dos processos mentais. Um caminho se abre até o silêncio que é a comunicação de si do Espírito, a claridade cristalina do amor vigilante no nível mais profundo da consciência.
Quanto mais fundo avançamos, mais clara é a tranquilidade que encontramos. A tranquilidade é o momento presente, que é o único momento em que se torna possível conhecer Deus.