Coração Inflamado

Leitura de Sábado, 07 Dezembro 2019
John Main, OSB

Extraído do livro The Burning Heart: Reading the New Testament with John Main, tal como editado por Gregory Ryan (London: Darton, Longman + Todd, 1996)

Se uma pessoa diz “Amo a Deus”, e ao mesmo tempo odeia seu semelhante, ela é mentirosa. Se essa pessoa não ama um semelhante a que ela vê, é impossível que ela ame a Deus, a quem não vê. E, na verdade, esse mandamento nos chega a partir do próprio Cristo: que aquele que ama a Deus deve também amar seu semelhante. (1Jo 4, 19-21)
Sejamos claros quanto ao que São João nos diz, a saber, que não podemos amar a Deus ou nosso semelhante. Ou amamos os dois, ou ninguém . . .
Na meditação desenvolvemos nossa capacidade para nos voltarmos inteiramente para o Outro. Aprendemos a deixar que nosso próximo seja tal como é, assim como, aprendemos a deixar que Deus seja tal como é. Aprendemos a não manipular nosso próximo, mas em vez disso, a reverenciá-lo, a reverenciar sua importância, a maravilha de seu ser; ou seja, aprendemos a amá-lo. Por essa razão, é que a prece é a grande escola de comunidade. Através de uma seriedade e perseverança em comum, e por meio delas, nos damos conta da verdadeira glória da comunidade cristã, como uma fraternidade de ungidos, que vivem juntos em profundo e amoroso respeito mútuo. (do livro A Palavra que Leva ao Silêncio)

 

original em inglês

An excerpt from THE BURNING HEART: Reading the New Testament with John Main, ed. by Gregory Ryan (London: Darton, Longman + Todd, 1996)

If a man says “I love God” while hating his brother, he is a liar. If he does not love the brother whom he has seen, it cannot be that he loves God whom he has not seen. And indeed this command comes to us from Christ himself: that he who loves God must also love his brother. (1 John 4: 19-21)
Let us be quite clear what St John is saying, namely that we cannot love God or our neighbor. We love both or neither . . .
In mediation we develop our capacity to turn our whole being toward the Other. We learn to let our neighbor be just as we learn to let God be. We learn not to manipulate our neighbor but rather to reverence him, to reverence his importance, the wonder of his being; in other words, we learn to love him. Because of this, prayer is the great school of community. In and through a common seriousness and perseverance in prayer we realise the true glory of Christian community as a fraternity of the anointed, living together in profound and loving mutual respect. (WS, p. 78)