"Caríssimos Amigos" - Leitura de 30/12/2007
CHRISTIAN MEDITATION NEWSLETTER, Vol. 31, No. 3, Outubro de 2007, pgs. 5, 6.
Tradução de Roldano Giuntoli

John Main via a comunidade como o lar, no qual, seus membros se voltavam uns para os outros, conduzindo o outro para a luz do amor. Ele sabia que esse centrar-se no outro, não era fácil. Isso necessita da prática regular da meditação, na qual nos voltamos para o outro, dentro de nós mesmos, o outro que é, ao mesmo tempo, o fundamento de nosso ser: Deus em nosso verdadeiro eu. Essa prática é a obra de atenção pura. Com a simplicidade e a confiança do gênio, ele a identificou com a atenção ao mantra. É, porém, mais que uma técnica, pois, se praticada com o requisito da fidelidade, torna-se amor incondicional e absoluto, a declaração do si mesmo, o dom do eu, ao outro.[. . . .]

A poderosa atração para os níveis mais profundos do eu e da prece, que a meditação exerce, precisa evoluir. No princípio ela é "o que é que a meditação pode fazer por mim". O indivíduo está repleto de desejo por realização espiritual e, da esperança em todos os frutos do espírito. Podem até ocorrer curtos êxtases. Porém, então, ela se torna "o que é que a meditação pode me ajudar a fazer: pelos outros". Eros se expande para a amizade. O amor por nossos inimigos, que transforma o inimigo em um amigo, a nossos olhos, é difícil de ser alcançado, sem que tenhamos alguns amigos, com os quais possamos desfrutar eqüidade, benevolência e confiança: dos quais nós simplesmente amemos a companhia. No grupo de meditação desenvolve-se uma forma de amizade espiritual. . .[e] com o tempo, meditar com eles revela, não que você esteja amando-os, mas, que com eles, você esteja amando. Você não medita em companhia de outros, por serem amigos, mas, vocês se tornaram amigos, por meditarem em companhia. . . .Vocês podem até mesmo não estar visíveis uns para os outros, por longo tempo. Os amigos, assim como, os professores, desaparecem nas brumas do tempo. Mas, você aprendeu que o conhecimento não é o que pode ser visto. Tal como disse o grande teólogo, Bernard Lonergan, "aconteceu uma 'mudança para a interioridade' e, você começou uma nova fase da inclinação ao amor.

O Eros está relacionado a atração e amarras. A amizade nos ensina o desapego e, nos prepara para a experiência da perda, sem a qual, nossas descobertas se tornam posses sem sentido, relacionamentos estagnados. A descoberta do patamar da amizade espiritual, desperta o sentido de que, em cada pessoa que você encontra, você encontra a si mesmo e, que o eu dela busca voltar-se para você. A amizade começa a se expandir, a partir daquela segurança de um pequeno grupo de companheiros, que te proteje dos estranhos, de ver que todo estranho é um vizinho e, que todo vizinho é um irmão ou irmã. O ágape, começa então, a inundar a mente. A essência da experiência cristã é a transformação de toda a visão de realidade do indivíduo, através da experiência do "amor de Deus que inunda o coração mais íntimo, através do Espírito Santo que ele nos deu", sempre que o total vazio se transforma em plenitude.

Uma comunidade de amor não se dissolve quando seu tamanho aumenta ou diminui. Não se agarra aos amigos que atraiu, defendendo-se dos estranhos, ou cobra por inscrições, ou verifica as credenciais das pessoas. Não interrompe a exploração da experiência de amor da qual se iniciou e, que afinal, inevitavelmente, deverá conduzí-la a um cume do qual se descortina o amor ilimitado.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã