Leitura da Semana :: WCCM
 

"Caríssimos Amigos" - Leitura de 27/01/2013
Laurence Freeman OSB, Janeiro de 1997 WCCM International Newsletter

 

Permitir que o padrão da meditação diária se estabeleça entre tantos outros padrões de nossa vida, não só imaginária, mas, efetivamente, é um desafio para o que há de melhor em nós; para o melhor em nós. Trata-se de uma introdução mundana à lei cósmica do sacrifício.


Há uma lenda indiana que nos conta que Vishnu trazia todos os dias oferendas para Shiva, colocando mil flores de lótus a seus pés. Um dia, após alguns milhares de anos dessa devoção, ele descobriu, ao deitar as flores de lótus, naquele dia, que havia apenas 999. ( Estas coisas acontecem, às vezes.) Sem hesitar ele arrancou um de seus olhos, lindo, com a forma de uma flor de lotus, para completar a oferenda, colocando-o entre as 999.


A devoção é uma outra forma de compreendermos a auto-renúncia, a dinâmica que está no coração da meditação, e de toda forma de amor. Nos oferece um diferente meio de encarar o sacrifício. Não como uma perda de algo precioso, algo arrancado de nós, enquanto interiormente, esperneamos e gritamos. Mas, como uma oportunidade preciosa de entrarmos em contato com uma maior bem-aventurança e plenitude. Aceitar, e ceder a estes momentos, é um presente do louvor, que integra todo nosso ser, nos unifica e nos simplifica, na súbita alquimia do amor.


Essa é a obra multi-dimensional da meditação e, esta é a razão pela qual precisamos ser tão simples ao repetirmos o mantra, se quisermos que todas essas dimensões se harmonizem e se desenvolvam conjuntamente. Não é apenas um sacrifício de tempo...O sacrifício inclui nossos pensamentos e imaginação, as mil e uma conversações, em todos os níveis de nossa mente. Assim como o foi para Vishnu, é uma oferenda de toda nossa forma de ver e conhecer, uma cegueira parcial e temporária, que é um ato de fé em outra forma de ver e conhecer, que é superior.


O mantra insere … na experiência da oração, um ato espontâneo de louvor que envolve todo nosso ser. Não apenas para dizer a Deus... quão onipotente, onisciente e onipresente "ele" é. Mas, para aceitar o convite inerente à nossa verdadeira existência, para nos tornarmos como Deus é: pela graça, pela adoção, pelo amor. Nessa cooperação entre graça e natureza, nosso ser se torna íntegro. Cristo, aquele que cura, atua mais unindo profundezas e superfície, o interior e o exterior, na pura dádiva do louvor, que é nosso e dele, à medida em que ouvimos o mantra.


Como Padre John ensinava, nossa meditação se torna oração, de maneira mais pura, não apenas na ação  de repetirmos o mantra em face às distrações, mas, no relaxamento que o ouve.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã