"Encontrar e perder" - Leitura de 23/09/2007
JESUS: THE TEACHER WITHIN (New York: Continuum, 2000), pp130-131.
Tradução de Roldano Giuntoli

Para encontrar Deus, portanto, precisamos perder Deus, ao menos nossas idéias e imagens primitivas de Deus. Será doloroso desapegarmo-nos dessas imagens que nos são familiares, tanto em caráter individual, quanto para a comunidade de que somos parte. É uma mudança que se dá em um nível profundo de nossa psique. Mesmo para aquela pessoa não religiosa, haverá a dor de sentir que está perdendo algum tipo de Deus familiar e confortador. Tanto a dor, como a alegria, acompanham a descoberta do mistério vivente, pois os ídolos que precisamos destruir estão muito entrelaçados com nossas imagens de nós mesmos.

A sensação de separação de Deus, todavia, é necessária à individuação espiritual. Para pessoas religiosas ela é particularmente dolorosa e desconcertante. Sua primeira percepção do Reino, poderá parecer menos com uma descoberta de Deus, do que uma perda ou, até mesmo uma rejeição sacrílega daquele Deus que uma vez lhe fora tão seguramente ensinado. Porém, através do horrível vazio da ausência, Deus é encontrado.

Lentamente, surge o entendimento de que a perda da imagem é pré-requisito para o encontro do original. Perder-se de seu caminho é o próprio caminho da busca de Deus. Essa verdade acerca da visão de Deus, nos revela outra lei, que podemos nem saber estarmos obedecendo: que para encontrar nosso verdadeiro Ser precisamos perder o ser de nosso ego. Para aprofundar um relacionamento precisamos libertar o outro. Então, imperceptivelmente, a ausência se transforma no mistério da presença. Por fim, nos damos conta de que a ausência de Deus é apenas a falência de nossos poderes de entendimento na compreensão da real presença de Deus.

De acordo com Tomás de Aquino, tudo o que podemos dizer seguramente acerca de Deus, é que Deus é e, não o que Deus é. Nosso relacionamento com Deus é, portanto, semelhante ao mistério que somos para nós mesmos. Se é verdade que Deus permanece sempre um mistério para nós, também é verdade que somos um mistério para nós mesmos. O mistério é, afinal, até mesmo que existamos, que qualquer coisa exista. Essa admiração é uma qualidade humana fundamental e, e acordo com Aristóteles, a chave de nossa filosofia. A admiração de ser humano é contingência da admiração do misterium de Deus. Essa característica misteriosa de Deus é a afirmação bíblica fundamental acerca de Deus. Apesar de todo o pensamento e ritualística que acumulou, a reconhecível incapacidade de conhecer a Deus é o elemento central da teologia cristã.

"Se você puder entendê-lo", nos diz Santo Agostinho, "então, não se trata de Deus. Se você foi capaz de compreender, então você compreendeu algo diferente de Deus. Se você foi capaz de compreender, mesmo parcialmente, então você enganou a si mesmo, com seus próprios pensamentos".

Essa radical humildade (e humor) perante o inefável mistério de Deus é o fundamento da tradição cristã. A partir do coração dessa tradição, surge uma autoridade que liberta. Seus professores apontam o caminho, com um sábio não saber, uma erudita e humilde ignorância, na direção do Reino.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã