Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Sábado da Primeira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Esta semana refletimos sobre como distinguir a ilusão da realidade. Diadochos (de Photiki) tem nos sugerido que isso vem como um presente ao invés de um resultado de estudo ou apenas nossos próprios grandes  esforços. Mas ele também enfatiza que uma escolha deliberada é necessária para dirigir-nos apenas para o que é real e dissipar a atração à ilusão com a nossa atenção para o que é bom. À medida que o conhecimento espiritual cresce, ele diz encorajadoramente, através do esforço e da graça combinados, nos tornamos mais confiantes em nossa busca pelo amor. 

Sugeri, previsivelmente, que este conselho profundo pode ser posto em prática através da meditação. De qualquer forma, temos que encontrar um modo de equilibrar o esforço necessário de nossa parte com a gratuidade da graça para trazer a mudança que desejamos e precisamos.

 Se você não é uma pessoa particularmente religiosa, você pode ser mais atraído para a ideia do esforço. Você não precisa de muita conversa sobre Deus estar te ajudando. No entanto, a verdade é que a mudança essencial acontece em um nível onde nossa vontade consciente desaparece. Se houver a vontade, é mais sobre ver e consentir à verdade do que tentar alcançá-la. Se, por outro lado, você gosta da ideia da presença ativa de Deus em sua vida, você pode pensar que não precisa fazer muito, apenas soltar-se, ser passivo e deixar Deus fazer tudo. Os elementos ligados ao humano e ao divino, nessa ascensão à realidade, estão ambos envolvidos. Juntos revelam mais do que qualquer uma dessas atitudes extremas (autossuficiência ou deixando tudo a critério de Deus) sobre o esforço e a graça. O esforço sério e humano não deve ser separado porque sua separação promove a ilusão. Cristo faz isso tudo fazer sentido. Ele é o casamento no paradoxo.

Como em um bom relacionamento, cada lado da parceria humana- divina se move para dentro e para fora uma da outra, imperceptivelmente. Elas formam um todo maior do que podemos imaginar como a soma das partes. Esta totalidade, que é Cristo, lança luz sobre a distinção do humano e do divino, mas também sobre a necessidade cósmica que têm de um para com o outro. Eles são, pelo menos da nossa perspectiva, incompletos sem o outro. Isso significa que Deus precisa de nós? Tecnicamente, não, é claro, mas amorosamente, porque Deus se tornou Sua própria criatura, por que não?

É isso que está em jogo na nossa reflexão quaresmal baseada na prática pessoal que nos comprometemos durante estes quarenta dias. Nós não queremos ser intransigentes a esse respeito (ou vamos perder o espírito da verdade), ainda assim isso é sagrado e muito importante para nós. A vida continuará se não refletirmos sobre ela e se não houver nenhuma visão de nossa prática sustentada: Trump twittará, Brexit acontecerá, os Cardeais disputarão, as previsões econômicas  mudarão, alguns serão curados e outros não, Netflix inventará mais seriados. No entanto, a Quaresma importa. Não só para nós mesmos em nossos universos digitais separados, mas para nós como um todo, à medida que despertamos para o grande significado do humano que Deus tem arriscado em nós e cujo resultado o universo aguarda ansiosamente. É por isso que é importante que aprendamos periodicamente a limpar nossas lentes e ver claramente o que é real e duradouro e o que é ilusório e efêmero. Porque nós importamos.

 


 

Texto original em inglês

Saturday Lent Week One

This week we have reflected on how to discern illusion from reality. Diadochus has been advising us that this comes as a gift rather than a result of study or just our own mighty efforts. But he also emphasises that a deliberate choice is needed to direct ourselves only towards what is real and to consume the attraction to illusion with our attention to what is good. As spiritual knowledge grows, he says encouragingly, through effort and grace combined, we become more confident in our quest for love.

I have suggested, predictably, that this profound advice can be put into practice through meditation. Somehow, anyway, we have to find a way of balancing the effort needed on our part with the gratuitousness of grace to bring the change we desire and need. 

If you are not a particularly religious person, you may be more attracted to the idea of effort. You don’t need a lot of talk about God helping you. Nevertheless, the truth is that the essential shift happens at a level where our conscious will disappears. If will there is, it is more about seeing and consenting to the truth than trying to achieve it. If, on the other hand, you like the idea of the active presence of God in your life, you may think you don’t have to do very much, just hang loose, be passive, and let God do it all. The bonded elements of the human and divine, in this ascent to reality are both involved. Together they reveal more than either of these extreme attitudes (self-sufficiency or leaving it all to God) about effort and grace. Grave and human effort should not be separated because their separation promotes illusion. Christ makes all this make sense. He is the marriage in the paradox.

As in a good relationship, each side of the human-divine partnership slides into and back from the other, imperceptibly. They form a whole greater than we can imagine as the sum of the parts. This wholeness, which is Christ, sheds light on the distinctiveness of the human and divine but also on the cosmic need they have for each other. They are, at least from our perspective, incomplete without the other. Does this mean that God needs us? Technically, no, of course but lovingly, because God became His own creature, why not? 

This is what is at stake in our Lenten reflection based on the personal practice we have committed to for these forty days. We don’t want to get too heavy about it (or we will lose the spirit of truth) yet it is sacred and most important to us. Life will go on if we don’t reflect on it and if there is no insight from our sustained practice: Trump will Twitter, Brexit will happen, the Cardinals will squabble, the economic forecasts will change, some will be cured and others won’t, Netflix will invent more series. Yet Lent does matter. Not only to ourselves in our separate digital universes, but to us as a whole, as we awaken to the great meaning of the human which God has risked on us and whose outcome the universe eagerly awaits. This is why it is important that we learn periodically to wipe our lenses and see clearly what is real and enduring and what is illusory and ephemeral. Because we matter.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.