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Segunda-feira da Semana Santa

D. Laurence Freeman

Há uma traço muito particular de autocontrole e desapego na maneira como Jesus passa por suas provações. Se nos basearmos em nossa experiência comum ao enfrentar crises e transformações, perda e mortalidade, este poderia ser interpretado como falta de sentimento, uma auto-anestesia.

Todos tendemos a enterrar nossa cabeça na areia quando não gostamos do que vemos. De um ponto de vista quase teológico, isso poderia ser mal interpretado se pensássemos “bom, ele era Deus também, então essas coisas não o afetavam de fato. Ele sabia que tudo ia acabar bem”. Temos a tendência de preferir um mestre espiritual idealizado ou um deus que fica no alto do Olimpo a um que está na esfera da nossa humanidade.

O problema é que a história toda perde o sentido — e também seria uma perda do nosso tempo de quaresma — se não entendermos que Jesus foi tão humano quanto nós somos hoje e é tão humano hoje como seremos um dia.

Como lidamos com a perda, a mortalidade, a traição e a decepção? Quem de nós, na Terra, não experimenta essas coisas em alguma medida, pelo menos uma vez em nossa curta vida? Nossa resposta ao sofrimento determina como lidamos também com as descobertas, a regeneração, o amor e a concretização de nossas esperanças. Essas coisas também caracterizam a existência humana em alguma medida. Não há nenhuma dúvida sobre o que nós preferiríamos escolher na palheta das cores da vida. Mas também não há nenhuma dúvida que, no final das contas, todas elas nos ensinam e nos formam, e devemos abraçar a todas com igual humildade.

O desapego que aprendemos com o tempo e forma a maturidade do caráter significa que não fazemos birra cada vez que não temos o que queremos. Nem mergulhamos em completo desespero quando perdemos o que temos. Da mesma forma, não ficamos possessivos quando as coisas boas da vida vêm ao nosso encontro. Não nos iludimos achando que não há problemas logo adiante. Mas é esse delicado equilíbrio de resposta que nos permite ir além da gangorra da emoção e do apego do ego à perspective de dor e prazer.

A meditação como parte da vida, nossa tentativa quaresmal de viver a vida mais equilibradamente, aponta para o grande sinal que contemplaremos nos próximos dias. Atravessar o sofrimento, libertarmo-nos na morte quando chegar a hora, desapegar de tudo amamos e dos prazeres da vida sem ressentimento: assim encontramos uma bondade que vai além do que é bom ou mau, uma realização além do perder e encontrar, uma vida além da vida e da morte. Mais ainda, descobrimos que isso tudo não está lá no Olimpo, mas aqui, gravado em nosso próprio DNA.

Se a quaresma podia se comparar a uma caminhada no deserto por 40 anos, a Semana Santa é como chegar em casa e fazer um agradecimento exultante, do fundo de nosso coração.

 


 

Texto original em inglês

Monday of Holy Week

There is a unique quality of self-possession and detachment in the way Jesus goes through his ordeals. From our common experience of facing crisis and transformation, loss and mortality, it could be interpreted as a lack of feeling, self-anaesthesia. We are all prone to bury our heads in the sand when we don’t like what we see. From a quasi-theological point of view it could be misread by saying, ‘well he was God as well so it didn’t hurt him really. He knew it would all turn out well in the end.’ We tend to prefer an idealised spiritual master or an olympian god who is above rather than within the realm of our humanity

The thing is that the story is all meaningless – and also we have wasted our time in Lent – if we don’t get it that Jesus was as human as we are and is as human as we will be.

How do we deal with loss, mortality, betrayal and disappointment? Who on earth does not experience these in some measure at times in our brief lives? Our response to suffering determines how we also deal with discoveries, regeneration, love and the fulfilment of our hopes. These also, in some measure, characterise human existence. There’s no doubt what we would prefer to choose from the palette of human colour. But nor is there any doubt in the end that both teach and form us and we must embrace both with equal humility.

The detachment we learn over time and that makes for maturity of character means we don’t throw a tantrum whenever we don’t get what we want. Nor do we plunge into total despair when we lose what we have. In the same way we don’t become possessive when the good things of life come our way. We don’t delude ourselves that there aren’t problems round the corner. But it is this very fine balance of response that allows us to go beyond the see-saw of emotion and the ego’s clinging to the pain-pleasure perspective.

Meditation as part of life, our Lenten attempt to live a better balance of life point to the great sign we will contemplate in these coming days. To go through suffering, to release ourselves into death when the time comes, to let go of all we love and the delights of life without resentment: thus we encounter a goodness beyond good and bad, a fulfilment beyond finding and losing, a life beyond life and death. More, we discover it is not there on Mount Olmpus but here written into our very DNA.

If Lent was about trekking in the desert for forty years Holy Week is about coming come and saying an exultant thank-you from the bottom of our hearts.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.