Leitura da Semana

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Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Domingo de Ramos

D. Laurence Freeman

Semana Santa 2016

Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado.
Jesus lhe respondeu: Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso.

Hoje se inicia o drama da Paixão, a jornada do inferno do sofrimento ao paraíso da felicidade. Cada detalhe de todos os incidentes descritos entrou em nossa imaginação coletiva durante milênios. Embora, por falha na transmissão da fé, muitos não tenham conseguido identificar a particularidade da história, sua imagem se mantém potente. Quem ouvir a narrativa com atenção, irá se identificar nela. Aqui, é o último Jesus feito homem, que consola o ladrão crucificado ao lado dele: depois de morrer, os dois estarão juntos no Paraíso.

É um drama interativo e só conseguimos entendê-lo quando nos colocamos dentro dele. Grande parte da história relata a humilhação psicológica a que Jesus foi submetido – sendo despido de direitos e dignidade – e a degradação física e o sofrimento. O  significado não é apenas de que Jesus tenha sido um indivíduo heróico, um inocente que se tornou bode expiatório. É também de que nosso orgulho e vulnerabilidade física são colocados em questão. É duro olhar para esta história com objetividade apenas, sem se deixar levar por ela e se solidarizar mentalmente e fisicamente com tudo o que Jesus enfrentou. Essa capacidade de empatia é o que explica a qualidade redentora da morte de Jesus, porque o que acontece com ele no transforma.

Vejo com frequência como pessoas, ao aceitarem suas doenças terminais, usam o tempo que lhes resta para oferecer seus últimos dias no altar de Deus. A percepção da vida sobrepõe-se à percepção da morte. O amor se torna mais forte que o isolamento. Como se atinge este momento e o que ocorre a seguir? Isso ocorre quando partilhamos aquilo que não pode ser partilhado. Agora, a separação da pessoa que está à morte representa a mais profunda e mais gentil influência.

A meditação nos transporta através de tudo no microcosmo de nosso mundo interior. A Quaresma nos trouxe esta reflexão como significado final.

 


 

Texto original em inglês

Palm Sunday

Jesus, remember me when you come into your kingdom. 
He replied: Indeed, I promise you, today you will be with me in paradise.

Today the drama of the Passion begins, the journey from the inferno of suffering to the paradise of joy. Every detail of every incident described has over the millennia entered into our collective imagination. Even though, lacking any transmission of faith, many may be unable to identify the detail or the story, the image still remains potent. Anyone truly listening to this narrative will recognise themselves in it. Here, in his last human exchange Jesus, he consoles the thief crucified next to him, after they have died they will be in Paradise together. 

It is an interactive drama and we can only understand it once we are inside it. So much of the story relates to the psychological humiliation of Jesus – his being entirely stripped of rights and dignity – and to his physical degradation and suffering. The meaning, then, is not just that Jesus was a heroic individual, an innocent who became a scapegoat. It is also that our pride and physical vulnerability are also put into question. It is hard just to look at this story objectively, without eventually falling into it and empathising mentally and physically with all that Jesus endured. It is this capacity for empathy that explains the redemptive quality of the death of Jesus, why what happens to him changes us.

I have often seen how people, accepting their terminal illness, will use their remaining time to offer up their dying on the altar of their last days. A sense of life overwhelms the sense of death. Love becomes stronger than isolation. How is this moment reached and what happens next? It happens when we share the unshareable. The dying person’s detachment is now the means of the deepest, gentlest influence.

Meditation takes us through this in the microcosm of our inner world. Lent has brought us to this reflection on ultimate meaning.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.