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Sábado da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Um outro segredo da felicidade que não tem sentido: Felizes os mansos porque herdarão a terra.
Se há afirmações que possam parecer sugerir o quanto as pessoas religiosas estão “fora de órbita”, esta deve ser uma delas.

Os mansos permitem que os fortes os espezinhem. A não-violência pode ser bela, um ideal heróico mas, não vence o mal. A terra que os mansos herdam é a terra estéril que seus opressores abandonaram porque não conseguem extrair nada mais dela. Qual o significado dessa bem-aventurança no mundo real?

Pensava nisso frequentemente ao visitar países crivados de violência endêmica e de corrupção política e financeira. Com frequência a característica nacional parece ser qualquer coisa exceto corrupção e violência. Poderá ser evidentemente gentil e generosa e, descobrir mais coisas a se comemorar na vida do que a exploração e o roubo. Mansidão, se esse é o seu significado, parece torná-los perigosamente vulneráveis aos que são calejados e egoístas.

E, “herdarão a terra”. Talvez essa seja a chave para a compreensão da mansidão. Não possuir, nem conquistar, mas herdar. Herdamos algo depois de uma morte. Essas coisas nos chegam pelo testamento do prévio proprietário, ou através de uma linha de sucessão. Os mansos atravessaram a via de passagem da morte. Aquilo que eles herdam, a terra, pode parecer o mesmo para aqueles que ainda não morreram. Porém, para aqueles que morreram e alcançaram a sua herança, a terra parece ser, e é, muito diferente.

Diz-se que os primeiros colonizadores brancos na Austrália não encontraram dificuldades em se apossar da terra dos povos indígenas porque estes, os aborígenes, não tinham nenhuma noção de propriedade pessoal. Parecia-lhes inconcebível possuir a terra, porque a terra e as pessoas possuíam-se uns aos outros.

Para o quê morreram os mansos, ou, talvez, jamais tenham conhecido? Deve se tratar das mesmas atitudes e comportamentos que tornam os mansos tão vulneráveis: o orgulho, a cobiça, o ciúme, a dureza de coração, a ânsia de violência. Todas aquelas coisas que alimentam a guerra na Síria em contraposição a toda razão, e apesar dos esforços de bons negociadores e, é claro, apesar dos mortos, mutilados, realocados e refugiados

Libertam-se cidades, mas, tornaram-se inabitáveis no processo. Aqueles que um dia as herdarão para reconstruir a civilização terão morrido para a auto-destructibilidade daqueles que se aproveitam da mansidão por nela só enxergarem fraqueza.

Pense nisso à medida que você leva em consideração como Jesus atravessou a sua Paixão e deu à humanidade uma nova maneira de ver a terra: uma visão que ainda luta para ser aceita.

 


 

Texto original em inglês

Saturday Lent Week 5

Another nonsensical secret of happiness: Blessed are the meek for they shall inherit the earth. If anything seems to suggest how out of touch religious people are with the real world this must qualify.

The meek allow the strong to walk over them. Non-violence may be a beautiful, heroic ideal but it does not defeat evil. The earth that the meek inherit is a wasteland that their oppressor has abandoned because he can extract nothing more from it. What, in the real world, does this Beatitude mean?

I have often thought about it while visiting countries riddled with political and financial corruption and endemic violence. Often the national character seems anything but corrupt and violent. It may be evidently gentle and generous and find more to celebrate in life than to exploit and steal. Meekness – if this is what it means - seems to make them dangerously vulnerable to those who are callous and selfish.

And, ‘inherit the earth’. Maybe this is the key to understanding meekness. Not possess or conquer but inherit. We inherit things after a death. They come to us by the will of the previous owner or through a line of succession. The meek have gone through the passageway of death. What they inherit – the earth – may look the same to those who have not died yet. But to those who have died and come into their inheritance the earth looks and is quite different.

They say the first white settlers in Australia found it easy to take the land from the indigenous people because they, the aborigines, had no sense of personal ownership. It seemed inconceivable to possess the land because the land and the people owned each other.

What have the meek died to or - in some cases perhaps - never known? It must be the very attitudes and behaviours which make the meek so vulnerable – pride, greed, jealousy, hard-heartedness, the lust for violence. All the things that keep the war in Syria going against all reason and despite the efforts of good negotiators and, of course, despite the dead, mutilated, displaced and the refugees.

Cities are liberated but become uninhabitable in the process. Those who will one day inherit them and rebuild civilisation will have died to the self-destructiveness of those who take advantage of meekness because they see only weakness. 

Think of this as you consider how Jesus passed through his Passion and gave humanity a new way of seeing the earth – a vision that is still struggling for acceptance.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.