Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Quarta-feira da segunda semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Até amanhã. Vamos resolver isso a semana que vem. Precisamos de um modelo de sustentabilidade de longo prazo. Vamos pensar a próxima etapa. (Daily chat)

“A figura deste mundo passa... O mundo passa e também a sua cobiça. Portanto, vigiai, pois não sabeis o dia e nem a hora.” (Cf. 1Cor 7,31 – 1Jo 2,17 – Mt 25,13)

Tudo o que é sólido desfaz-se em ar, tudo o que é santo é profanado – e o homem, no fim de tudo, é forçado a enfrentar com lucidez a sua condição real de vida e a sua relação com a sua espécie. (O Manifesto Comunista, Karl Marx)

São Bento coloca para os seus monges três votos: Estabilidade e Conversão dos Costumes, que são polos opostos. Um é sobre ficar fixo e o outro é sobre mudança contínua. O terceiro, porém, joga com os dois: a Obediência. Isto significa ficar com os dois no ar, numa estabilidade nivelada. Obediência quer dizer uma sensibilidade altamente ajustada e uma capacidade de resposta à ação do Espírito em todas os relacionamentos e circunstâncias da vida.

As surpresas podem acontecer a qualquer momento e ainda que não aconteça, não há como evitar a lei da Entropia. A energia, em qualquer sistema, acaba, eventualmente. Podemos rejeitar esta lei de mudança constante (acelerando à medida que está lendo isto) e fazer muitos planos é um bom exemplo de negação. Ou podemos desistir de tentar criar qualquer coisa, porque tudo se desfaz. Qual é o sentido de tudo? Ou ainda, podemos viver no momento presente, considerando o devido reconhecimento ao passado e ao futuro, aceitando o risco que é viver.

Vivemos num tempo turbulento e cronicamente inseguro. Outros períodos da história foram de crises ainda piores, mas estamos com uma particular desvantagem porque parece que temos pouca capacidade de dar sentido às coisas. Numa cultura de estímulos contínuos, objetivos, metas e projetos de vida, a vida interior, que é necessária para o sentido das coisas, encontra-se numa maré baixa. O sentido é conexão e conexão começa entre a vida interior e a exterior.

Por isso a meditação, embora não resolva os problemas, transforma o modo de como percebemos e lidamos com eles. Vemos assim, num sentido de desapego, sob pressão ou calma, quando normalmente a raiva ou o desespero caem sobre nós.

Quando a meditação se torna parte de nossa vida, o princípio de Estabilidade é respeitado pela prática regular – aconteça o que acontecer. E assim o é o princípio da Conversão dos Costumes, constante abertura para mudanças. Não estamos mais experienciando a vida como que arrancando coisas e lançando para longe de nós. Estamos então deixando que elas se vão.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.