Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Terça-feira da segunda semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Não há nada mais intimidante ou esperançoso do que uma página em branco.

Talvez seja isso que, ao mesmo tempo, nos faz temer e sentirmo-nos atraídos pela meditação. As palavras “em branco” e “vazio”, como a palavra “pobre” são enganosamente negativas, porque não conseguem capturar a tão importante qualidade do potencial. O vazio é uma falta, uma ausência, ou o espaço em que uma nova plenitude pode surgir se o adentrarmos e o abraçarmos? “Em branco” significa nada, é a imagem esmaecida deixada na tela depois que você apagou tudo? Ou significa a oportunidade de novo e mais rico conteúdo?

Somos uma cultura de consumo e excesso de consumo, dependentes de usar mais do que precisamos, e é por isso que tais ideias de potencial e oportunidade, aparentemente sutis demais, não conseguem capturar nossa imaginação. Ficamos mais satisfeitos com uma página inteira ou, de preferência, com um documento de várias páginas, cheio de marcadores, jargão altissonante, ilustrações, palavras como 'irrefutável', 'sustentável', 'empolgante' e 'inovador'. Sabemos que elas significam muito pouco, mas elas nos garantem que, pelo menos, preenchemos o vazio, cobrimos a neve virgem com muitas pegadas.

A meditação intriga profissionais que estão envolvidos em sistemas de trabalho cada vez mais caracterizados por tais padrões excessivos de comunicação, e cujos níveis de estresse muitas vezes levam-nos a sentirem-se aprisionados em um labirinto de atividades, rotas em colisão de reuniões, avaliações, relatórios, viagens, e pouco tempo para a verdadeira reflexão ou para de fato implementar o que foi “decidido”. Inicialmente, eles têm muita dificuldade para encontrar tempo para a meditação, mas alguns descobrem a verdade quântica de que o tempo dado para a meditação aumenta a quantidade de tempo em sua vida diária. Isso é um absurdo para a mente estressada, mas uma verdade doce, liberadora, para aqueles que a experimentaram.

Nossos dois tipos de prática quaresmal: aquilo de que nos abstemos, e aquilo que fazemos a mais podem constituir uma muito necessária rota de fuga, de compulsão para a liberdade. Mas isso exige um pouco de força de vontade, tal como o exercício implica em um pouco de suor e algumas dores musculares iniciais.

Recentemente, estive falando com o jovem filho de uma família não-religiosa. Ele frequenta uma escola confessional, e foi atraído pelos rituais e até mesmo pela disciplina da Quaresma. À imitação de seus colegas de escola, ele decidiu abster-se de chocolate. Na hora do chá, durante minha visita, sua mãe lhe ofereceu uma pasta de chocolate para o sanduíche que, compreensivelmente, ele não pôde recusar. Eu não quis fazê-lo se sentir culpado por isso, mas achei que foi uma oportunidade perdida para ajudá-lo a desenvolver capacidades e competências essenciais na vida: auto-controle e abstenção.

Todos encontramos desculpas: para não meditar; para escrever um documento mais longo que esconda o quanto realmente não temos clareza sobre o que fazer; para desistir de desistir; para adiar a coisa extra que queríamos fazer. A única maneira de transformar isso - e para nossa vantagem - é o “arrepender-se,”que significa evitar a culpa, e começar

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.