Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Primeira Segunda-Feira da Quaresma

D. Laurence Freeman

As limitações se dissolvem quando confrontadas na fé. O amor as relega a um nível inferior da realidade para que possamos continuar vivendo em expansão, apesar das limitações. A paciência redefine nossa experiência do tempo para que possamos sentir o futuro evoluir dentro do presente.

Por causa de descobertas muito recentes, nossa visão do universo está sendo agora transformada pela descoberta de algo que os cientistas procuravam desde que Einstein vislumbrou sua pequena porção da realidade, há um século, com uma simplicidade profunda demais para a compreensão da maioria das pessoas. Descobrimos as ondas gravitacionais. Agora que podemos ver o que procurávamos, estamos ansiosos para trilhar nesse caminho até a fronteira final: a origem do tempo e do espaço, o próprio Big Bang. 

Assim como acontece com o conhecimento espiritual, as descobertas da ciência sempre levam a novas perguntas e fronteiras. São Gregório de Nissa e o escritor da epístola paulina chamavam a isso de epiktasis, algo que impulsiona as fronteiras do conhecimento sempre para frente: “[...] esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo [...]”. (Filipenses 3, 13)

Isso parece ser uma fonte de eterna esperança, e é. Mas não é um desejo; é experiência autenticadora. A melhor prova é a experiência, dizia Francis Bacon, um dos fundadores da ciência moderna. O alvo para o qual nos dirigimos sempre parece ir adiante de nós, iludindo a tentativa do hemisfério esquerdo do cérebro de transformá-lo num conceito, um retrato da realidade, uma informação armazenada. Mas o hemisfério direito do cérebro sabe, com seu frescor perene, sempre antigo e sempre novo, e fica satisfeito em saber sem precisar classificar.

Começamos a meditar com um vislumbre profundamente simples da realidade, que nos garante que existe um universo interior que se expande sempre: o Reino dentro de nós, a caverna do coração, o espaço minúsculo que contém tudo o que existe. Naquilo que é infinitamente pequeno, chegamos ao infinitamente grande. Na interioridade mais profunda, o limite entre o interior e o exterior é transcendido.

Se encontramos a prova, não é através de cálculos e medidas, mas com um tipo diferente de conhecimento pela experiência. Nossas próprias mentes não podem chegar sozinhas a esse tipo de conhecimento. Mas o ermo, o deserto conceitual do silêncio nos molda para chegarmos a ele. Conhecemos o que a mente de Cristo conhece porque é vontade dele compartilhar tudo o que aprendeu do Pai.

A quaresma nada mais é do que aprender a viver na Mente de Cristo, que sempre se expande e que tudo inclui.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.