Leitura da Semana

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Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Sábado após as Cinzas

D. Laurence Freeman

A parte de meu trabalho que é mais fácil, e talvez mais útil, é a de ir a uma sala de aula de crianças, apresentar-lhes a meditação, meditar com elas (um minuto para cada ano de sua idade) e conversar com elas, tal como elas gostam, acerca do que a experiência significa para elas.

Nas primeiras vezes que fui chamado a fazê-lo, eu ficava muito ansioso acerca do que iria dizer. Logo descobri que caso eu chegasse para transmitir uma mensagem pronta, eu raramente conseguia uma verdadeira conexão com as crianças. Eu me portava condescendentemente e, via de regra, elas se portavam educadamente. Passei a não mais me preparar, tal como Jesus aconselhou seus discípulos a fazer quando convocados a comparecer perante a lei.

Hoje, isso se parece a dar um passo em um córrego de fluxo cristalino, fresco e puro, que me leva com ele. Trata-se de um fluxo que não tem nome, e nem podemos dizer de onde vem ou para onde vai. Mas, está lá. Trata-se de uma experiência de Deus, sem os trovões nem o êxtase. É o que é, tal como o disse Deus: “Eu Sou quem Eu Sou”.

Temos tantas palavras para Deus, e tantas definições quanto ao que Ele se parece e quanto àquilo que Ele quer que façamos e, especialmente, àquilo que Ele não quer que façamos. Logo, a presunção da linguagem religiosa se torna desagradável e a pessoa anseia pela experiência que não tem nome, nem é prescritiva. Cada vez mais me pergunto por que as pessoas e as instituições religiosas consideram ser tão difícil abrir espaço para essa experiência e, frequentemente, desconfiam tanto dela. Tal como nos dizem as crianças: “É realmente muito bom e te faz sentir muita paz”.

Uma vez mais, tal como Jesus nos disse: não poderá entrar nessa experiência (do Reino) aquele que não se tornar como uma criança. Alcançar isso depois de termos deixado o período edênico da infância (um período que se torna cada vez mais curto em nossa cultura, na medida em que negamos às crianças essa experiência da inocência), é a significação do amadurecimento. Possui muitos nomes: crescimento, jornada espiritual, integração. Mas, acima de tudo, amadurecimento significa recuperar em um nível mais elevado aquela capacidade inata de estar no presente e na presença que torna a infância tão prodigiosa de se acompanhar e observar.

Não há nenhum nome que lhe faça justiça e as crianças não se importam de não haver um nome para isso. Afinal, melhor conhecer a experiência sem nome, do que conhecer o nome sem a experiência. A educação e a verdadeira religião são a humilde tentativa de combiná-los.

É disso que trata a Quaresma. Relembrar quem somos e do que somos capazes. Recuperar a inocência apesar de, e por causa de, toda a experiência que acumulamos. Encontrar a “segunda ingenuidade”, fugidia em nosso mundo que é excessivamente auto-consciente e demasiado do lado esquerdo do cérebro. Se esse é o objetivo e a recompensa de nossa muito moderada ascese, a da meditação diária, é como tirar um doce da mão de uma criança.


Texto original em inglês

Saturday after Ash Wednesday

By Laurence Freeman OSB

The easiest - and perhaps most useful - part of my work is to go into a class of children, introduce them to meditation, meditate with them (one minute per year of their age) and talk with them, as they like, about what the experience means to them.

The first few times I was asked to do this I was quite anxious beforehand about what to talk about. I soon found that if I had a pre-paid message to deliver I rarely made a strong connection with the children. I was condescending and (usually) they were polite. So I started going in quite unprepared (as Jesus advised his disciples to do when they were hauled up before the law). It is now like stepping into a clear flowing stream, cool and pure, and being carried along by it. It is a nameless stream, and we can’t tell where it comes from or where it is going. But it is there. It is an experience of God, without the thunderbolts or the ecstasy. It is what it is, as God said ‘I am who I am’.

We have so many words for God and so many definitions of what he is like and what he wants us to do and especially what he does not want us to do. After a while the presumptuousness of religious language gets distasteful and one longs for the experience that is nameless and non-prescriptive. Increasingly I wonder why religious people and institutions find it so hard to make space for this experience and are often so suspicious of it. As the children will tell you, it’s really very nice and makes you feel very peaceful.

Again as Jesus said, we cannot know this experience (the ‘kingdom’) unless we are in the childlike state. Coming to this after we have left the Edenic period of childhood (a shorter and shorter period in our culture as we deny children this experience of innocence), is what maturing means. It has many names, growth, spiritual journey, integration. But overall, maturity mean to recover at a higher level of consciousness that inborn capacity for being in the present and in the presence that makes childhood so wondrous to behold and be close to.

There is no name for this that does it justice and children don’t care that it’s nameless. It is after all better to know the experience without the name than to know the name without the experience. Education and true religion is the humble attempt to match them.

And that’s what Lent is about. Remembering who we are and what we are capable of. Recovering innocence despite and because of all the experience we have notched up. Finding the ‘second naivete’ that eludes our over self-conscious and too left-brain world. If this is the goal and reward of our very moderate ascesis, of meditating each day, it’s like taking candy from a baby.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.