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Reflexões da Quaresma

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Sexta-Feira após as Cinzas

D. Laurence Freeman

Observo a facilidade com que me engano sobre o exercício físico. Eu começo com uma boa rotina e, em seguida, acho que ainda estou nela quando na realidade a prática real recua na distância como um astronauta desaparecendo ao cair no espaço.

O primeiro aviso é quando as pessoas olham para você e dizem que você está muito bem, o que normalmente significa que você ganhou peso. Quando você perde peso as pessoas olham para você e perguntam, com voz preocupada, se você está se cuidando bem.

Quaresma é um tempo de exercício espiritual e aptidão. Assim como o exercício físico melhora o nosso estado psicológico também o exercício espiritual dá um sentido renovado da harmonia feliz que existe naturalmente entre o corpo e a mente. Eu queria ter intitulado meu novo livro da Quaresma de "Percebendo Deus", "Sentindo-se Melhor", que é o que eu penso que esse tempo maravilhoso é, quando nós redefinimos o que é suficiente. Suficiência, adequação, é a parte humana da equação equilibrada de felicidade. Abundância, o dom divino de ser, é a outra.

Em culturas latinas - Mardi Gras e Carnaval - são pela tradição a última vez para o excesso desenfreado, antes de dizer adeus aos prazeres da carne. Na Inglaterra, com menor apetite desenfreado, fazemos panquecas na terça-feira para dar fim aos ovos. Não é papel da Igreja, incentivar celebrações orgíacas, mas talvez ela possa mostrar o lado bom delas. Afinal, nós temos conhecimento do que significa suficiente ao nos recuperarmos dos efeitos nocivos do excesso.

Este é um tempo para aprender a amar a ascese e vê-la como um modo de vida que deve na verdade ser seguido durante todo o ano. São Bento nos disse exatamente isso, e ele não era um desmancha-prazeres: “a vida monástica é uma Quaresma contínua". Foi John Main, quem me ajudou a entender que a vida monástica (como o casamento ou outros chamados de vida) é para ser livre e feliz e para nos abrir progressivamente a uma alegria na bondade da criação. Isto apesar da inevitável dor da perda e da decepção do fracasso. De alguma forma o lado sombrio em nós e em nossa cultura obscurece isso. Especialmente em uma sociedade que vê o consumo como o pré-requisito para a apreciação, o prazer aparece como algo a ser apanhado e explorado. De que outra forma explicar o crescimento obsceno dividido entre a riqueza evidente e as lutas dos pobres? A Quaresma desafia isso. A felicidade não é algo que se compra, mas algo que é dado e recebido. Não é sobre armazenamento, mas partilha.

Treinamento, aptidão, exercício moderado. Ascese é manter o fio da navalha afiada e apta para ser usada. John Main me ensinou que a oração é a ascese essencial da vida cristã e isso nos ajuda a compreender o ensinamento e o estilo de vida de Jesus que encontramos nos evangelhos.

Não é a mesma coisa que uma prática religiosa que simplesmente acalma, consola, e cria um momento de bem-estar ou uma breve sedação. Estas não são qualidades indesejáveis ​​na vida, mas não é o que significa ascese. Oração pura (suficiente, não débil, ou prolixa, ou de ideias obsessivas) é uma ascese diária. Ela precisa ser regular e levar a um surpreendente frescor, a uma calma mental. É uma prioridade, o princípio organizador da nossa transformação diária e ascensão contínua a Deus.


Texto original em inglês

Friday after Ash Wednesday

By Laurence Freeman OSB

I notice how easily I deceive myself about physical exercise. I get into a good routine and then think I am still in it while in reality the actual practice recedes into the distance like a vanishing astronaut tumbling away into space. The first warning is that people look at you and say you look very well which usually means you have put on weight. When you lose weight people look at you and ask in a concerned voice if you are keeping well.

Lent is a time for spiritual exercise and fitness. Just as physical exercise improves our psychological state so spiritual exercise gives a renewed sense of the happy harmony that naturally exists between body and mind. I had wanted to call my new Lent book “Sensing God”, “Feeling Better” which is what I think this lovely season is about, when we re-define what is enough. Sufficiency, enoughness, is the human part of the balanced equation of happiness. Abundance, the divine gift of being, is the other.

In Latin cultures Mardi Gras and Carnevale are traditionally the last time for rampant excess before saying farewell to the delights of the flesh. In England, with less rampant appetites, we have pancakes on Tuesday to use up the eggs. It’s not the church’s role to encourage orgiastic celebrations but maybe she can point out the good side of it. After all, we know better what sufficiency means as we recover from the harmful effects of excess.

This is a time to learn to love ascesis and to see it as a way of life that should in fact be followed throughout the year. St Benedict says just this and he was not a kiljoy: ‘the monastic life is a continuous Lent’. It was John Main who helped me understand that the monastic life (like marriage or other life-callings) is meant to be free and happy and to open us progressively to a delight in the goodness of creation. This despite the inevitable pain of loss and the disappointment of failure. Somehow the gloomier side of us and our culture obscures this. Especially in a society that sees consumption as the pre-requisite for enjoyment, pleasure appears as something to be snatched and exploited. How else explain the obscenely growing divide between conspicuous wealth and the struggles of the poor? Lent challenges this. Happiness is not something that costs but something that is given and received. It is not about storing but sharing.

Training, fitness, moderate exercise. Ascesis is keeping the knife-edge sharp and fit for purpose. John Main taught me that prayer is the essential ascesis of the Christian life and this helps to understand the teaching and lifestyle of Jesus we find in the gospels.

This is not quite the same as religious practice that merely calms, consoles, and creates a feel-good moment or brief sedation. These are not undesirable qualities of life but not what ascesis means. Pure prayer (sufficient, not flabby or verbose or conceptually inflated) is a daily ascesis. It needs to be regular and leads to a surprisingly fresh, and in-focus equanimity. It is a priority, the organising principle of our daily transformation and continuous ascent to God.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.