Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sábado da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman


João 11:45-56: retirou-se para uma região perto do deserto, e lá permanceceu com seus discípulos.

Em um avião, nas instruções pré-decolagem, rotineiramente lhe dizem que em caso de emergência você deve deixar tudo para trás, até seus sapatos.

Imagino quantos tentariam levar sua bolsa ou laptop ou pegar seus documentos na bagagem guardada no compartimento acima da cabeça. Em uma crise dessas, deve ser tão difícil deixar tudo para trás quanto o é na meditação diária. Mas são coisas e pensamentos.

Quando os passageiros do 11 de setembro estavam se preparando para o fim, ao que parece, tinham uma preocupação. Deviam estar terrivelmente impelidos ao total desapego, como uma pessoa condenada aguardando a execução, ou alguém com uma doença terminal. Muitos queriam apenas telefonar para as pessoas que amavam e dizer que as amavam.

Nos momentos críticos em sua vida, Jesus estava em solitude, mas estava solitário com seus discípulos mais próximos. Quando soube que era um homem marcado, esperando pela batida à meia-noite na porta ou, no seu caso, pelo beijo do traidor no jardim, seu instinto era de ir para perto do deserto – um lugar associado com ambos a solitude e o mais profundo de todos os relacionamentos, no chão da existência. E foi para lá com esses seres humanos que melhor compreendeu e que, apesar das deficiências deles, melhor o compreenderam.

A solitude é verdadeira e muitas vezes é deliciosa, mesmo que dolorosa. A solidão é inferno engendrado pela ilusão de separatividade. Na solitude somos capazes de relacionamentos fortes e profundos porque na solitude descobrimos nossa singularidade, mesmo (ou talvez, especialmente) se essa singularidade está associada com a morte.

Se meditação diz respeito a liberação de apegos e ida ao deserto da solitude, também diz respeito a descoberta da comunhão com outros a quem chamamos comunidade. Saber que somos condiscípulos na presença de nosso mestre é, mesmo quando as coisas estão desmoronando, uma fonte de incomparável contentamento.


Com amor
Laurence



Texto original em inglês

Saturday 5th Week of Lent
Jn 11:45-56: he left for the region near the desert, and there he remained with his disciples.

In the pre-takeoff instructions on a plane you are usually told that in the case of an emergency you should leave everything behind even your shoes. I wonder how many would try to take their handbag or laptop or get their documents out of a bag in the overhead compartment. It must be as difficult in such a crisis as it is in daily meditation to leave everything behind. But that’s things and thoughts.

When the 9-11 passengers were preparing for their end it seems they had one concern. They must have been terrifyingly pushed into complete detachment as a condemned person waiting execution or someone with a terminal illness. Many of them wanted only to phone the people they loved and tell them they loved them.

At critical moments in his life Jesus was in solitude, but was solitary with his close disciples. When he knew he was a marked man waiting for the midnight knock on the door, or in his case the betrayer’s kiss in the garden, his instinct was to go near to the desert - a place associated both with solitude and the deepest of all relationships, in the ground of being. And he went there with those human beings whom he understood best and who, for all their failings, understood him best.

Solitude is truthful and often delightful even when painful. Loneliness is hell made up of the illusion of separateness. In solitude we are capable of strong and deep relationship because in solitude we discover our uniqueness, even (or perhaps, especially) if that uniqueness is associated with death.

If meditation is about getting free from attachments and going to the desert of solitude it is also about the discovery of the communion with others we call community. Knowing that we are with fellow disciples in the presence of our teacher is, even when things are falling apart, a source of incomparable joy.

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.