Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sexta-feira da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman


Jo 10:31-42: o Pai está em mim e eu no Pai.

Qualquer modo de vida ou atividade que nos treine a colocar nossa atenção para além de nós mesmos merece ser chamado espiritual. Por outro lado há muitas coisas que são ditas ‘espirituais’ mas que, se praticadas de maneira errada, podem fazer-nos progressivamente mais auto-centrados.

Criar uma família pode ser exaustivo e parece deixar pouco tempo para ‘práticas espirituais’, no entanto isto é inteiramente centrado no outro. É um bom preparo para a meditação. Reciprocamente, a vida monástica nos deixa tempo para a oração, no entanto pode também nos manter em um estado superficial de descontentamento, reproduzindo os mesmos ciclos improdutivos de pensamento e comportamento. Mas pode ser um bom preparo para servir ao mundo.

Nós somos atraídos pela opção de sermos centrados no outro por almejarmos relacionamentos e afinidades que, combinadas, nos remeta a experiência do significado. Casamento, família, amizade, comunidade, serviço são todos modos pelos quais nós podemos aprender a nos ater aos outros. Muito rapidamente, entretanto, nós percebemos que sermos centrados no outro é difícil de praticar e mais difícil ainda de manter. Ainda que notemos que somos melhores, mais livres e mais abertos para amar quando estamos aprendendo a viver dessa forma. Então vemos que o caminho espiritual é um trabalho. De fato é um trabalho do amor.

Nós não acreditamos mais que monges são meditantes melhores que as pessoas casadas. Nós entendemos que o valor espiritual de qualquer estilo de vida é medido pelo quanto ele nos dá oportunidade de nos afastar de nós mesmos, permitindo-nos a nos encontrar em outros, livres do constante ver-se no espelho próprio do ego.

Os evangelhos mostram um Jesus que não foi nunca casado nem um monge. Onde ele aprendeu que Deus estava nele e ele em Deus? E como ele ouviu como comunicar esta experiência do ‘reino’ para pessoas comuns em ensinamentos tão simples e profundos? O que o levou tão decisivamente ao completo centrar-se no outro no qual ele estabeleceu sua vida?

Nós sabemos que ele foi a sua Quaresma por quarenta dias e reapareceu tendo dominado as aspirações de seu ego e recebido poder do Espírito para alcançar sua missão. Nós sabemos que ele retirava-se com frequência para locais de silencio e quietude. Pode ser que isso seja tudo o que tenhamos que saber – que ele conhecia a si mesmo – e então repeti-lo na intenção de ver que ele é nosso mestre. E mais tarde, talvez, descobrir como ele é também nosso caminho para o Pai.


Com amor
Laurence



Texto original em inglês

Friday 5th Week Lent
Jn 10:31-42: the Father is in me and I am in the Father.

Any way of life or activity that trains us to take the attention off ourselves is worthy to be called spiritual. On the other hand there are many things called ‘spiritual’ which, practised in the wrong way, can make us increasingly self-centred.

Raising a family may be exhausting and seem to leave little time for specific ‘spiritual practice’ but it is all about other-centredness. It is a good preparation for meditation. Conversely monastic life may give us time for prayer but also keep us in a shallow state of dissatisfaction, repeating the same unproductive cycles of thought and behaviour. But it can be a good preparation for serving the world.

We are attracted to the other-centred option because we crave for relationship and connection which, combined, deliver us into the experience of meaning. Marriage, family, friendship, community, service are all ways in which we can learn to pay attention to others. Very quickly, however, we realise that other-centredness is hard to do and even harder to sustain. Yet we also realise that we are better, more free and more open to love when we are learning to live in this way. Then we see that the spiritual path is a work. In fact it is a work of love.

We no longer assume that monks must be better meditators than married people. We understand that the spiritual value of any life-style is measured by how it gives us opportunities for turning away from self allowing us to find our self in the other, free from the constant self-mirroring of the ego.

The gospels show a Jesus who was neither married nor a monk. Where did he learn that God was in him and he in God? And how did he learn how to communicate this experience of the ‘kingdom’ to ordinary people in such simple and profound teachings? What led him ultimately to the complete other-centredness in which he lay down his life?

We know he went into his Lent of forty days and emerged having mastered his ego drives and powered with the Spirit to fulfil his mission. We know that he withdrew regularly to places and times of silence and stillness. Perhaps that is all we need to know – that he knew himself - and then repeat in order to see that he is our teacher. And later, perhaps, to discover how he is also our way to the Father.

 

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.