Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Segunda-feira da Quarta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

João 4, 43-54: Jesus disse-lhe: “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”.

Essas são as palavras aparentemente ásperas que Jesus disse ao homem que veio a ele pedindo-lhe para curar seu filho moribundo. Jesus então lhe disse que seu filho viveria, o homem foi para casa e descobriu que o menino tinha se recuperado naquele instante. Mágica ou fé? Essa é a pergunta que revela a verdadeira dinâmica desta história e de todos os evangelhos.

Suas palavras ao pai desesperado, citadas acima, podem parecer falta de compaixão. Podemos imaginar nós mesmos sendo importunados para ajudar alguém passando necessidade, mas ao mesmo tempo sentindo que já fizemos o suficiente por aquele dia. A intensidade do pedido, porém, nos faz ceder e dar-lhes o que querem; por outro lado, não resolvemos nosso próprio sentimento de auto-preservação e defesa que sempre nos impedem de nos doarmos de forma pura e incondicional. Portanto cedemos, mas também soltamos uma queixa ou crítica, sem amabilidade nenhuma. Está certo: curarei seu filho, mas já estava na hora de você parar de me pedir milagres após o horário comercial.

Não parece que seja isso que Jesus está dizendo. O pai, como qualquer pessoa preocupada com um ente querido em perigo, está desesperado por um milagre. Mesmo quando enfrentamos a verdade e abrimos mão de falsas esperanças, fica um resquício de desespero dentro do qual o sonho de um milagre nunca morre. Nossa necessidade de mágica, de manipular causas e efeitos a partir do lado de fora, pode sobreviver até mesmo ao desespero. As crises políticas, as retrações econômicas, a ficção e seus meninos feiticeiros evidenciam nosso apetite pelo fast food dos sinais mágicos e maravilhosos. Quando as coisas chegam a um estado de desespero, é aí que mais queremos poderes mágicos.

Com sua observação, Jesus simplesmente revela isso e, assim, liberta o pai e nós mesmos do vício em soluções mágicas. O que flui dele é o poder de cura na total força da compaixão. Somos salvos de nosso próprio desespero não por sinais mágicos externos, mas pelo que está já dentro de nós, onde já estamos em contato com o poder que projetamos e procuramos fora de nós.


Jesus não queria que o vissem como mágico, nem mesmo como messias. Queria algo mais mais: que as pessoas entrassem em contato com ele e o conhecem a partir do seu interior. Há também sinais e maravilhas ligados a isso. Mas não são mágicos. São os sinais reais de uma transformação maravilhosa do eu, produzida por aquele relacionamento que chamamos fé.


Com amor
Laurence

 


 

Texto original em inglês

Monday Fourth Week of Lent

John 4: 43-54: Unless you people see signs and wonders, you will not believe.

These are the harsh-seeming words Jesus spoke to the man who came to him and asked him to come and save his dying son. Jesus then told him his son would live and the man went home to find that the boy had recovered at that instant. Magic or faith? This is the question that reveals the true dynamic of this story and all the gospels.

His words to the desperate parent, quoted above, might seem to lack compassion. We might imagine ourselves being pestered to help someone in need and yet feeling we have given out enough for the day. Their intensity however makes us yield and give them what they want; but we haven’t resolved our own feeling of self-protection, the guardedness that always prevents us from making a pure and unconditional gift of self. So we give in but we also, unkindly, throw in a complaint or a criticism as well. OK, I’ll heal your son but it’s about time you stopped asking me for miracles after hours.

It doesn’t feel that this is what Jesus is saying.

The father, like anyone concerned for a loved one in danger, is desperate for a miracle. Even when we have faced the truth and given up false hope, there remains a pocket of desperation where the dream of a miracle never dies. Our need for magic, for manipulating causes and effects from the outside, can even survive despair. Political crisis, economic downturns, fiction and boy wizards all evidence our appetite for the fast food of magical signs and wonders. When things are desperate that is when we most want magical powers.

By his remark Jesus simply exposes this and so frees the father, and us, from the addiction to magical solutions. What flows from him is the power of healing in the full force of compassion. We are saved from our own desperation not by the external signs of magic but from what is already within us, where we are already in touch with the power we project and seek outside ourselves.

Jesus didn’t want people to see him as a magician or even as a messiah. He wanted more, for people to connect with him, to know him, from within themselves. There are also signs and wonders associated with that. But they are not magical. They are the real signs of a wondrous transformation of self, produced by the relationship we call faith.

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.