Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sábado da Terceira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Lucas 18:9-14: todo aquele que exalta a si mesmo será humilhado, e aquele que humilha a si mesmo será exaltado.

Quando queremos evitar pormenores e apresentar argumentos que irão varrer toda oposição, dizemos coisas como ‘há dois tipos de pessoas…’, ou ‘podemos fazer uma destas duas coisas…’. A mente gosta de dualidades porque sempre há um vencedor e um perdedor. Mas como Deus e o meditante sabem, dualidades são apenas dois terços da história. A mente mais profunda, sub-atômica, pensa em trios, e assim, vencer ou perder não é o ponto principal.

Como professor, utilizando histórias que eram ao mesmo tempo simples e sutis, Jesus usava o dualístico para chegar ao trinitário. Nesta história, dois homens vão ao templo para orar. Um deles é um beato absurdo, grotesco, um egoísta de primeira ordem que realmente acredita que é melhor que qualquer outro e agradece a Deus por isso. O outro também é um estereótipo, um coletor de impostos corrupto que provavelmente operava bares e clubes de striptease e outros empreendimentos obscuros. O surpreendente é que mesmo assim ele estava no templo e estava orando. Não é de surpreender que o fariseu estava absorto demais em si mesmo para perceber que simplesmente não estava orando de verdade. Ele não sabia que estava distraído – pela pior das distrações. O taberneiro provavelmente estava tentando se concentrar, mas não conseguia parar de pensar nos problemas dos negócios. Mas ele reconheceu isso, e adicionou essa percepção ao pote de orações. A adoração verdadeira absorve tudo.

Como Marta e Maria, ou o filho pródigo e seu irmão mais velho, estes dois parecem polos opostos. Mas leia uma segunda e terceira vez e eles começam a se fundir. A mente atenta começa a se reconhecer em cada um deles. Não temos nós todos momentos em que nos sentimos superiores, se não a todos, pelo menos aos mais baixos de todos? E não temos nós todos, nos cantos mais sombrios do nosso ego, uma percepção de que somos muito estragados e não podemos fazer nada a respeito, a não ser nos abrirmos, naquele exato lugar, ao Deus que só descobrimos na humildade? A menos que até isso façamos imperfeitamente.

Então qual é a mente que está consciente dessa dualidade em nosso interior? O terço que perfaz um. Só que é uma unicidade não numérica, uma unidade e uma união na qual a dualidade é tanto curada como transcendida. E assim, há o paradoxo com o qual Jesus encerra a parabola – exaltar e ser humilhado, humilhar e ser exaltado. Você obviamente não consegue permanecer por muito tempo em nenhum dos lugares. Então, onde estamos? Chegamos naquele lugar não geográfico quando vemos que Deus está sorrindo.



Com amor
Laurence

 


 

Texto original em inglês

Saturday 3rd Week Lent

Luke 18:9-14: everyone who exalts himself will be humbled, and the one who humbles himself will be exalted.

When we want to avoid details and make arguments that will sweep all opposition away we say things like ‘there are two kinds of people..’, or ‘we can do one of two things..’. The mind likes dualities because there’s always a winner and a loser. But as God and the meditator know dualities are only two-thirds of the story. The deeper, sub-atomic, mind thinks in threes and so winning or losing isn’t the main point.

As a teacher, using stories that were both simple and subtle, Jesus used the dualistic to get to the trinitarian. In this story two men go to the temple to pray. One is an absurd, Dickensian clerical bigot and an egoist of the first order who really believes he’s better than everyone else and thanks God for it. The other is also a stereotype, a corrupt tax-collector who probably ran bars and strip clubs and other shady enterprises. What’s surprising is that he was in the temple at all and was praying. Not surprisingly, the Pharisee was too self-absorbed to know that he wasn’t really praying at all. He didn’t know that he was distracted - by the worst of all distractions. The publican was probably trying to focus but couldn’t stop thinking of his business problems. But he knew it and threw that awareness into the pot of prayer as well. True worship swallows everything.

Like Martha and Mary, or the prodigal son and his older brother these two seem polar opposites. But read it a second and third time and they begin to fuse. The listening mind begins to recognize itself in each of them. Don’t we all have moments when we feel superior, if not to everyone else at least to the lowest? And don’t we all have, in the murkiest corners of our ego, an awareness that we are very screwed up and can do nothing about it except open ourselves, in that very place, to the God we only discover in humility? Except we do even that imperfectly.

So what is the mind that is aware of this duality within us? The third which makes one. Except it is a non-numerical oneness, a unity and a union in which duality is both healed and transcended. And so, there’s the paradox by which Jesus wraps up the parable – exalt and be humbled, humble and be exalted. You obviously can’t stay long in either place then. So where are we? We arrive at that non-geographical place when we see that God is smiling.

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.