Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Terça-feira da Terceira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Mateus 18: 21-35: Movido pela compaixão o senhor daquele servo deixá-lo ir e perdoou-lhe a dívida.


A isto se chama reestruturação da dívida. E isso economizaria um bocado de tempo e de política se pudesse ser praticado pelos ricos para com os pobres em nossa economia global. Mas nenhum argumento verbal vai alcançar isso. Tal re-visão radical da política precisa de familiaridade com as forças da silêncio.

Uma boa prática nova para ressaltar, mesmo neste ponto médio no período quaresmal, é o silêncio. O silêncio é o maior dos mestres. Falar ou pensar no silêncio pode ser contra-produtivo e até mesmo levar a discussões sobre os diferentes caminhos para o silêncio. Isto porque - obviamente - o silêncio não precisa ser falado. Adivinhação: Quando você fala meu nome, desapareço. O que eu sou?

 

No entanto, é preciso refletir sobre o que significa o silêncio porque, caso contrário, podemos até mesmo nunca tomar consciência de que o silêncio existe. Isto é cada vez mais verdadeiro em nossa cultura altamente distraída. Distração é ruído desnecessário.

Recentemente, embarquei em um avião para um vôo longo, e senti meu coração apertado quando vi que estava sentado ao lado de dois jovens irmãos que pareciam muito naturalmente animados. Na verdade, durante oito horas ambos ficaram completamente entorpecidos e sedados por uma combinação de seus jogos no iPad e das telas de TV, que eles usaram de forma contínua e simultânea. Isso fez com que eu pudesse meditar, ler e cochilar durante o voo, mas o que sugeriu sobre o barulho e a super-estimulação que enche as mentes dos jovens me preocupa muito.


Se o nosso ambiente natural carece de silêncio, como poderemos entender o que ele é? Nós saberemos que perdemos alguma coisa, mas não teremos qualquer palavra para o que é aquilo. O silêncio só vai significar que o áudio não funciona. E assim, temos de falar sobre o silêncio. Comunicaremos o que o silêncio é, repetindo até que a ficha caia no poço sem fundo do silêncio. A meditação nos restaura para a experiência do silêncio. Ela ilustra como a repetição consciente, fiel, nos leva em direção e para o silêncio, ao acalmar a mente e o desejo. Então, repito, o silêncio é o maior dos mestres.

Ele cura, refresca, energiza, inspira, aguça, esclarece. Ele simplifica. É o meio da verdade. E é a fonte da Palavra pura única que ao mesmo tempo o comunica perfeitamente e conduz de volta para ele. Se conscientemente desligarmos a TV ou fecharmos o computador, restringirmos as palavras desnecessárias, evitarmos olhar para cartazes publicitários, olharmos as pessoas amorosamente nos olhos, estaremos intensificando o mesmo trabalho direto do silêncio que reencontramos em nossa meditação. E faremos do mundo um lugar mais silencioso e desperto.

 

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Tuesday 3rd Week Lent

Matthew 18:21-35: Moved with compassion the master of that servant let him go and forgave him the loan.
It’s called debt restructuring. And it would save a lot of time and politics if it could be practised by the rich towards the poor in our global economy. But no verbal argument will achieve that. Such a radical re-vision of policy needs familiarity with the forces of silence.

A good new practice to highlight even at this midway point in the Lenten period is silence. Silence is the greatest of teachers. Speaking or thinking about silence can be counter-productive and even lead to arguments about different ways into silence. This is because - obviously - silence does not need to be spoken. Riddle: When you speak my name I disappear. What am I?

Yet, it is necessary to think about what silence means because otherwise we may never even become conscious that silence exists. This is increasingly true in our highly distracted culture. Distraction is unnecessary noise.

I recently boarded a plane for a long flight and my heart sank as I discovered I was sitting next to two young brothers who looked very naturally boisterous. In fact for eight hours they were both completely numbed and sedated by a combination of their iPad games and the TV screens both of which they used continuously and simultaneously. It meant I could meditate, read and nap during the flight but what it suggested about the noise and over-stimulation filling the minds of the young worried me greatly.

If our natural environment lacks silence how will we ever understand what it is? We will know we have lost something but will have no word for what it is. Silence will just mean when the audio doesn't work. So, we must speak about silence. Repetition will be how we communicate what silence is until the penny drops into the bottomless well of silence. Meditation restores us to the experience of silence. It illustrates how conscious, faithful repetition leads us towards and into silence by the stilling of the mind and desire. So, I repeat, silence is the greatest of teachers.

It heals, refreshes, energises, inspires, sharpens, clarifies. It simplifies. It is the medium of truth. And it is the font of the pure single Word that both perfectly communicates it and leads back to it. If we consciously turn off the TV or close the computer, restrain unnecessary speech, avoid gazing at advertising posters, look people lovingly in the eye, we are enhancing the same direct work of silence that we return to meeting in our meditation. And we are making the world a more silent and awakened place.
 

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.