Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Segunda-feira da Terceira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Lucas 4, 24-30: E acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria.


Como é que uma visão de mundo tão radicalmente na contramão da ideia de sucesso mundano poderia algum dia se transformar numa religião mundial? Com hierarquias, planejamentos estratégicos, forças políticas e um desejo de transformar todos em seus seguidores? É porque ela não tem medo do pecado. Porque enxerga seu fundador como aquele que “se fez pecado por nós”. Porque lida com a encarnação, não com a sublimação.

Mas não devemos nos esquecer nunca — e a quaresma não vai nos deixar esquecer — que não podemos perseguir o sucesso, a aceitação e o aplauso como autênticos objetivos de vida e ser reais. A experiência da meditação é diferente de qualquer outra. É extremamente difícil defini-la, pois é uma porta de entrada para uma simplicidade tão radical que nem mesmo encontramos palavras para descrevê-la. Como penetra delicadamente no centro mais profundo de nossa existência, ela envolve e influencia tudo em nossa vida com uma maravilhosa capacidade de unificá-la. O passado e o futuro se fundem no presente. Os medos e obsessões derretem. Vemos o bem em nossos inimigos. Somos expandidos pelo amor e expandimos o mundo através do amor. Toda consciência contemplativa (e isso não significa “eu”) consegue, em algum ponto, absorver o mal no bem.

E em meio a este processo ela diminui nossa pressão arterial, reduz o stress e nos ajuda a dormir melhor à noite. Estas são somente algumas das notas de uma grande música do ser e que conseguimos escutar ao tornar a meditação parte da nossa vida. Conseguimos até mesmo ver a música que toca em nossa vida diária.


Isso pode desanimar por soar místico demais. Com o foco na simples consciência, na centralidade do outro e no autoconhecimento que a quaresma desenvolve, porém, despertamos para o quanto cada momento de cada dia é simples, unificado e “bom”, de um modo muito mais profundo que qualquer sentido moral da palavra. É por isso que continuamos e ignoramos aquela sensação egocêntrica de fracasso, e não nos preocupamos com o que os outros dizem.

 

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Monday 3rd Week Lent 2015

Luke 4:24-30: Jesus said to the people in the synagogue at Nazareth: “Amen, I say to you, no prophet is accepted in his own native place.

How could a vision of life as radically counter-cultural to the idea of worldly success ever have become a world religion? With hierarchies, strategic planners, political forces and a desire to make everyone its adherents? Because it is not frightened of sin. Because it sees its founder as ‘becoming sin for our sake’. Because it’s about incarnation not sublimation.

But we should never forget - and Lent won’t let us – that we cannot pursue success, acceptance, acclaim as authentic goals of life, and be real.

Many people feel that they fail at meditation. They do. And they don't. It is true they don't achieve the perfection they are seeking and that will seem like a falling short. Many then give up because they have been conditioned by their ego to think that only success has meaning. Only success is rewarded. Big error. Those who hang in the practice, awaken, in the process of failing, to the discovery that, even though they aren't perfect, they are winning a victory they had not even imagined. It’s the victory of fidelity: the force of radical transformation. In meditation we score no goals but we win the match. Most people who stay faithful to the practice find the inner freedom that comes with an embraced discipline. They will add, in a self-deprecating way, that they are not good meditators.

The experience of meditation is unlike any other. It is extremely difficult to define because it is an entry into such radical simplicity that we lose even the words to describe it. Because it gently penetrates to the deepest centre of our existence it involves and influences everything in our life with a marvellous capacity to unify. Past and future merge into the present. Fears and obsessions melt. We see the good in our enemies. We are expanded by love and we expand the world by love. Every contemplative consciousness (this does not mean 'me') is able, to some degree, to absorb evil into the good.

In the process it lowers blood pressure, reduces stress and helps us sleep better at night. These are only some of the notes of a great music of being that we become able to listen to by making meditation part of our life. We even see the music playing in daily life.

But that might put you off for sounding too mystical. With the focus of simple awareness, other-centredness and self-knowledge that Lent develops, however, we awaken to just how simple, unified - and 'good' in a way that goes deeper than any moral sense of the word - each moment of each day is. That's why we hang in and ignore the egocentric feeling of failure and don’t worry what people say.

 

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.