Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Terceiro Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Terceiro domingo da Quaresma 2015

S. João 2, 13-25 Mas Jesus mesmo não se fiava neles porque os conhecia a todos. Ele não necessitava que alguém desse testemunho da natureza humana, pois ele bem sabia o que havia no homem.


Quando ele “limpou o templo” expulsando do pátio sagrado os comerciantes e os vendilhões ele selou seu destino. Como todos nós sabemos, uma coisa é ensinar, e outra, praticar.

Quando você começa a agir na verdade – considerando o risco de estar certo e um risco maior de se tornar impopular por sacudir o barco – o sistema irá se virar contra você. Perus não votam pelo Natal e galinhas não votam pela Páscoa.


Há como todos sabem pecados pessoais. Por exemplo: a nossa recusa em encarar a realidade e a nossa preferência por aquilo que dentro de nós sabemos ser ilusão; ou nosso deliberado, cuidadosamente auto justificado endurecimento do coração em relação às pessoas necessitadas que se aproveitariam de nosso tempo, tesouro ou talento; nossas maneiras astutas de defender uma relação egoísta aos eventos e pessoas em nossa vida; nossa ganância deliberada e motivo de lucro a curto prazo; nossas maneiras de explorar as pessoas. E assim por diante. Nós todos conhecemos nossas faltas – ou suspeitamos quais sejam. Elas são as causas de nosso inferno psicológico individual – o domínio do falso eu. Por mais doloroso que pareçam ser elas não apresentam nenhum grande obstáculo para o amor de Deus brotando através de nossas rachaduras para nos curar e nos dar sempre outra oportunidade.


Mas há mais alguma coisa no reino do pecado que nos afeta porque nos condiciona através da cultura em que vivemos. É mais coletivo e impessoal do que nossas faltas pessoais. Nós vemos isso nos tsunamis sociais da insanamente horrível desumanidade e a insensibilidade como a do Holocausto ou do Estado Islâmico. Esse pecado possuído não só por indivíduos, mas por grupos inteiros. Dá um sentido errôneo de comunidade – uma experiência perversa e autodestrutiva de solidariedade que todos os seres humanos buscam.


Pecado, pessoal ou coletivo, é pegajoso. Mesmo quando tentamos nos separar dele ele se torna ainda mais ligado. Vítimas então se tornam como aqueles que os perseguem enquanto ainda se apresentam como o azarão. Como poderemos nos desvencilhar e ao mundo dessa viscosidade horrível do pecado? Por grandes quantidades de injeções do soro da realidade.


O trabalho da meditação de acordo com o livro do século XIV ‘ Nuvem do Não Saber’, seca a raiz do pecado. Uma grande reivindicação. Mas verdadeira. E não te fará popular. A Meditação é um poderoso dissolvente da cola da ilusão e do egoísmo. Como um super produto que descobrimos que faz um trabalho doméstico que não fomos capazes de completar, a meditação faz o que promete. Desde que a pratiquemos. A Quaresma é o tempo para realizar esses trabalhos.

 

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Sunday 3rd Week Lent 2015
John 2:13-25: But Jesus would not trust himself to them because he knew them all,
and did not need anyone to testify about human nature. He himself understood it well.


When he had ‘cleansed the temple’ by throwing out the money-changers and traders from the sacred court Jesus had sealed his fate. It’s one thing, as we all know, to teach and another practice. When you start to act on the truth – taking the risk about being right and the bigger risk of becoming unpopular for rocking the boat – the system will turn against you. Turkeys don’t vote for Christmas and chickens don’t vote for Easter.


There is, as we all know, personal sin. For example: our refusal to face reality and our preference for what we privately know to be illusion; or our deliberate, carefully self-justified hardening of heart to people in need who would benefit from our time, treasure or talent; our crafty ways of defending a self-centred relation to the events and people in our life; our deliberate greed and short-term profit motive; our ways of exploiting people. And so on. We all know our faults - or suspect them. They are the causes of our individual, psychological hell - the domain of the false self. However painful, they present no great obstacle to the love of God welling up through our cracks to heal us and give us always another chance.


But there is something else in the realm of sin that affects us because it conditions us through the culture we live in. It is more collective and impersonal than our personal faults. We see it in social tsunamis of insanely horrific inhumanity and callousness such as the Shoah or the Islamic State. This sin possessed not just individuals but whole groups. It gives an ersatz sense of community - a perverse and self-destructive experience of the solidarity that all human beings seek.


Sin, personal or collective, is sticky. Even when we try to detach ourselves from it, it becomes more attached. Victims then become like the ones that persecuted them while still presenting themselves as the underdog. How can we extricate ourselves and our world from the horrible stickiness of sin? Heavy injections of the reality serum.

The work of meditation, according to the 14th century Cloud of Unknowing, dries up the root of sin. A big claim. But true. And it won’t make you popular. Meditation is a powerful dissolvent of the glue of illusion and selfishness. Like a great product we discover that does a household job we have not been able to complete, meditation does what it promises. Provided we use it. Lent is the time to get these jobs done.

 

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.