Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sábado da segunda semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Lucas 15: 1-3, 11-32: Este homem recebe pecadores e come com eles

Mais ou menos como o Papa Francisco, Jesus recebeu mais compreensão e apoio de fora da instituição religiosa do que de dentro dela. Mas isso vale para a maioria dos pensadores radicais e reformadores. Eles entendem a simplicidade essencial da sua missão; e simplificar complexos sistemas de poder sujeita a arranjar inimigos.

A parábola que Jesus ofereceu em resposta a esse capcioso comentário sobre ele associar-se com pecadores, é a do Filho Pródigo. Mais uma vez, isto mostra como a visão moral resulta de uma experiência mística. Em nosso trabalho de ensinar meditação para, por exemplo, um estudante de administração de empresas, esta é a base lógica implícita. Desperte a experiência para a qual a meditação conduz, e você descobrirá que os dilemas éticos se tornam mais facilmente compreendidos e resolvidos. A experiência é mais convincente do que o argumento. Atuamos bem na medida em que vemos claramente.

A parábola (melhor denominada Parábola dos Dois Irmãos) tem uma lição moral óbvia. Não condene os malfeitores depois de terem começado a mudar. Encorage-os à reabilitação por meio de assertividade, perdão e aceitação, assim como o pai dá uma festa para sua ovelha negra que retorna. Dadas as personalidades dos dois irmãos, qual parece mais próximo do pai? Eles estão, na verdade, equidistantes. O irmão pródigo voltou sorrateiro, esperando ser repreendido, e não consegue entender a natureza do imenso amor do pai. O irmão mais velho, desmancha-prazeres, é totalmente desprovido da generosidade que caracteriza seu pai. Eles são as duas faces do ego em todos nós. Uma parte que quer correr atrás de prazer e outra que gosta de ter a superioridade moral e sentir-se justificada na condenação.

Como eles entenderam mal o pai, o nosso verdadeiro eu. No simbolismo da sua alegria, seu abandono da vaidade e sua absoluta exuberância de amor, vemos a transcendente dimensão mística , subjacente à moral. Sem a compreensão dessa verdade fundamental da alegria de ser e da incondicionalidade do amor, o ego vai prevalecer.

Cada vez que meditamos, somos como o filho pródigo voltando para casa para ser abraçado, e também como o irmão mais velho, aprendendo que ser bom é mais do que fazer o bem. A quaresma é um tempo em que, pela simplificação de determinados aspectos das nossas vidas e fortalecimento da nossa disciplina onde ela for fraca, podemos nos ver em cada uma dessas três personagens e decidir - será tão difícil? - com qual delas queremos ficar.

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Saturday 2nd Week Lent 2015
Luke 15: 1-3, 11-32: This man welcomes sinners and eats with them

Rather like Pope Francis Jesus got more understanding and support from outside the religious establishment than from within it. But that is true of most radical thinkers and reformers. They understand the essential simplicity of their mission; and to simplify complex power systems is bound to make you enemies.

The parable Jesus gave in response to this carping comment about him associating with sinners is that of the Prodigal Son. Once again it shows how moral vision derives from a mystical experience. In our work of teaching meditation to, for example, business school student this is the implicit rationale. Awaken the experience that meditation leads into and you will find that ethical dilemmas become more easily understood and solved. Experience is a stronger persuader than argument. We act well to the degree that we see clearly.

The parable (better called the Parable of the two Brothers) has an obvious moral point. Don’t condemn the wrongdoer once they have begun to change. Encourage them to rehabilitate by affirmation, forgiveness and acceptance as the father gives a party to his retuning black sheep. Given the two brothers’ personalities which seems closer to the father? They are in fact equidistant. The prodigal brother slunk home expecting to be rebuked and can’t understand the nature of the father’s expansive love. The older, killjoy brother is entirely lacking in the generosity that characterises his father. They are the two faces of the ego in all of us. The one part that wants to run after pleasure and the other that likes to take the moral high ground and feel justified in condemnation.
How much they misread the father, our true self. In the symbolism of his joy, his abandonment of self-importance and his sheer exuberance of love we see the transcendent, mystical dimension underpinning the moral. Without knowledge of this essential truth of the joy of being and the un-conditionality of love the ego will prevail.

Each time we meditate we are like the prodigal returning home to be embraced and also like the older brother learning that being good is more than doing good. Lent is a time when by simplifying selected aspects of our lives and strengthening our discipline where it is weak, we can see ourselves in each of these three characters and decide – is it so difficult? – with which one we want to be. 

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.