Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2019 >
Quaresma 2018 >
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Segunda-feira da segunda semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Lucas 6, 36-38: Dai e vos será dado. Uma medida boa, cheia, socada e transbordante será colocada em vosso regaço, pois a medida que usardes para os outros, servirá para vós também.

Isto aqui é o Curso Básico de Moral, uma variação da regra de ouro de todas as tradições de sabedoria: faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você. Isso nos garantiria um mundo justo e, por conseguinte, essencialmente pacífico. Como mestre da moral, Jesus é exato e exigente, mas não muito original.

Recentemente ficamos deprimidos com as notícias de mais algumas daquelas histórias que nos são tão familiares, de banqueiros gananciosos e desonestos e de políticos hipócritas que só pensam em si mesmos. Normalmente o que se espera deles é que, se não são melhores do que nós, pelo menos eles consigam se safar de um jeito melhor ou mantenham sua ganância voraz sob algum tipo de controle. Falta-lhes aquela moral e decência básicas quando eles tentam pegar a 'boa medida' de que Jesus fala sem dar na mesma medida. Mas não se pode culpá-los por ser identificados e denunciados, embora devêssemos aproveitar para examinar a trave em nosso olho antes de julgar e condenar os outros. Afinal de contas, para alguns de nós é difícil parar de devorar qualquer coisa depois que começamos. Condenamos o princípio da coisa ou sua escala? Estou com um baldinho de pipoca bem ao meu lado enquanto escrevo e posso pôr isso à prova.

Mas no ensinamento de hoje o mestre também revela o coração místico da moral. É por isso que Vaclav Havel falou da necessidade de transcendência no mundo pós-moderno. Como estamos um passo adiante do pós-moderno, podemos agora relacionar esse ensinamento à necessidade do místico em uma sociedade secular. Precisamos dele simplesmente porque ele existe e não ficaremos satisfeitos se suprimirmos a verdade.

A moral nos diz para fazermos ao outro o que queremos que façam a nós. Isto pode nos levar a dizer que, se não é assim que acontece, então é olho por olho. Portanto, precisamos ver o místico, o transcendente subjacentes à moral (temperar a justiça com misericórdia). Isso se encontra na expressão sobre a boa medida 'transbordante, (que) será colocada em vosso regaço'.

A medida que não pode ser medida porque transborda do recipiente na qual está sendo derramada. Transcendência. O mistério do altruísmo, da generosidade genuína. E observe o 'transbordante'. Não é renda obtida, colheita produzida; não é acidente nem mera causa e efeito. O que é que transborda?

E não transborda na conta do seu karma cósmico. É no seu regaço.

(Sim, o baldinho ficou vazio.)

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Second Sunday of Lent 2015 

Mark 9:2-10: Jesus led them up a high mountain apart by themselves; and he was transfigured before them

The great – and difficult – novelist Henry James was once taken to a Punch and Judy show by some mischievous friends. They were astounded at how totally absorbed he became in this very simple form of theatre. After the performance he was very silent until they asked him what he had thought of it. ‘What an economy of means,’ he answered, and added wistfully ‘what an economy of ends’.

You could say the same of the gospel and all its stories, like today’s account of how Jesus was transfigured in light before the few close disciples he took with him up the mountain. The account is very spare (an economy of means) and the meaning is so simple that it defies an easy explanation (an economy of ends). When the Dalai Lama commented on this he didn’t describe it metaphorically but spoke of it as an example of what Tibetan thought calls the subtle - -or ‘rainbow’ – body.

Truth usually has this economy. We to diverge from the truth the more we analyse, complicate and define. We usually speak too much about things we don’t understand but much less about things whose truth we really feel. This is why meditation is so economical, cutting out the waste of thoughts and words in the work of silence and getting directly to the simple end.

In the Transfiguration story Peter (typically) gets it wrong by talking but without knowing what he was saying because ‘they were exceedingly afraid’. Why does the truth - and the simplicity which is the medium of truth - scare us so much? Why is silence (the letting go of thoughts) so challenging? Why is it hard to say the mantra faithfully? Why do the simple disciplines of Lent that we started recently often seem too much?
Is it because we find it too simple to harmonise the means and the ends in a way that brings us to ourselves in the radiant glory of the present?


With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.