Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Segundo Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Segundo Domingo da Quaresma 2015

Marcos 9, 2-10  ‘Jesus os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre um alto monte. E transfigurou-se diante deles.’

O grande - e difícil - romancista Henry James foi levado para assistir em certa ocasião ao show de Punch e Judy (marionetes) por alguns amigos brincalhões. Eles ficaram surpresos de como ele ficou totalmente absorvido nesta forma de teatro tão simples. Após a apresentação ele permaneceu silencioso até que eles lhe perguntaram o que tinha achado. 'Que economia de meios, ' ele respondeu e acrescentou pensativamente 'que economia de fins'.

Você poderia dizer o mesmo do evangelho e de todas as suas histórias, como a do relato de hoje de como Jesus transfigurou-se em luz diante dos poucos e chegados discípulos que ele levou consigo ao alto do monte. O relato é muito escasso (uma economia de meios) e o significado é simples e para tanto desafia uma explicação fácil (uma economia de fins). Quando o Dalai Lama fez um comentário sobre isso ele não o descreveu metaforicamente, mas falou sobre isso como um exemplo do que o pensamento Tibetano chama o corpo – ou ‘arco íris’- sutil.

Comumente a verdade tem essa economia. Nós divergimos da verdade quanto mais nós analisamos, complicamos e afirmamos. Comumente também falamos demais sobre coisas que não entendemos, mas muito pouco sobre coisas cuja verdade nós realmente sentimos. É por isso que a meditação é tão econômica, tira o supérfluo dos pensamentos e palavras no trabalho do silêncio e vai diretamente ao ponto.

Na história da transfiguração Pedro (tipicamente) entende errado quando fala sem saber o que estava dizendo por que ‘eles estavam sobremaneira atemorizados’. Por que a verdade – e a simplicidade que é o agente da verdade – nos assusta tanto? Por que o silêncio (o deixar ir dos pensamentos) é tão desafiante? Por que é tão difícil dizer o mantra fielmente? Por que a simples disciplina da quaresma, que começamos recentemente, frequentemente nos parece demais?
É porque achamos muito simples harmonizar os meios e os fins pelo modo que nos traz a nós mesmos à glória radiante do presente?

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Lent 2015 Daily Reflections

Second Sunday of Lent
Mark 9:2-10: Jesus led them up a high mountain apart by themselves; and he was transfigured before them

The great – and difficult – novelist Henry James was once taken to a Punch and Judy show by some mischievous friends. They were astounded at how totally absorbed he became in this very simple form of theatre. After the performance he was very silent until they asked him what he had thought of it. ‘What an economy of means,’ he answered, and added wistfully ‘what an economy of ends’.

You could say the same of the gospel and all its stories, like today’s account of how Jesus was transfigured in light before the few close disciples he took with him up the mountain. The account is very spare (an economy of means) and the meaning is so simple that it defies an easy explanation (an economy of ends). When the Dalai Lama commented on this he didn’t describe it metaphorically but spoke of it as an example of what Tibetan thought calls the subtle - -or ‘rainbow’ – body.

Truth usually has this economy. We to diverge from the truth the more we analyse, complicate and define. We usually speak too much about things we don’t understand but much less about things whose truth we really feel. This is why meditation is so economical, cutting out the waste of thoughts and words in the work of silence and getting directly to the simple end.

In the Transfiguration story Peter (typically) gets it wrong by talking but without knowing what he was saying because ‘they were exceedingly afraid’. Why does the truth - and the simplicity which is the medium of truth - scare us so much? Why is silence (the letting go of thoughts) so challenging? Why is it hard to say the mantra faithfully? Why do the simple disciplines of Lent that we started recently often seem too much?
Is it because we find it too simple to harmonise the means and the ends in a way that brings us to ourselves in the radiant glory of the present?


With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.