Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Segunda-feira da Primeira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Mateus 25, 31-36: Tive sede e me deste de beber, era estrangeiro e me acolheste

É possível ensinar a compaixão? É possível regulamentá-la? Depois de alguns casos chocantes, quase inacreditáveis de brutalidade em instituições de cuidados para os indefesos e idosos, foram criados treinamentos e regras mais rígidas foram adotadas. Alguém fez alguma coisa. (Depois de um desastre, sempre dizemos que 'alguém tem que fazer alguma coisa a respeito'.)

Talvez os treinamentos e regras ajudem a reforçar o princípio básico de que o mínimo que devemos fazer é não prejudicar os outros. Mas a compaixão é mais que comportamento. É a maneira como se fazem as coisas. É, sobretudo, a fonte da qual a ação flui para si e para o outro. A fonte da compaixão não é nada menos que o eu verdadeiro, esse 'eu' irredutível no qual o ego foi inteiramente absorvido e, portanto, está invisível e não lança nenhuma sombra.

Quando a ação flui a partir deste ponto não geográfico da identidade pura, ela não se preocupa com a própria aparência e nem mesmo com como ficam as coisas aos olhos dos outros. A compaixão é pura ação transmitida da pureza do coração. Ela é transmitida para os outros por uma força de generosidade completa e realizadora demais para se preocupar com o que vai ganhar em troca.

Isso se parece com a meditação? Sim, pois é a meditação. Quando o verdadeiro eu está na jogada, tudo o que se pensa e faz é uma forma de meditação. Até lá, temos que aprender e reaprender a ficar centrados e ser simples. Temos que nos lembrar disso quando nos esquecermos. Dizer o mantra é simplesmente esse processo de aprendizagem. Dizer o mantra de todo o coração, com generosidade e pureza, passa a orientar a pessoa inteira numa direção não auto-centrada. Isso dá o tom para tudo. A meditação nos permite ser compassivos porque ela é compassiva.

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Lent 2015 Daily Reflections

Monday 1st week Lent 2015

Matthew 25: 31-36: I was thirsty and you gave me drink, a stranger and you welcomed me

Can you teach compassion? Can you regulate for it? After some shocking, almost unbelievable cases of brutality in care institutions towards the defenceless and the elderly, training courses and tighter rules were introduced. Somebody was doing something. (After a disaster we say ‘somebody should do something about it’.)

Perhaps training and regulations help enforce the basic principle that at the least we should do no harm to others. But compassion is more than behaviour. It is the way that things are done. Above all it is the source from which action flows towards self and others. The source of compassion is not less than the true self, that irreducible ‘I’ in which the ego has been fully absorbed and therefore is invisible and casts no shadow.

When action flows from this non-geographical point of pure identity it is unconcerned about what it looks like and even about whether it is good or bad in the eyes of others. Compassion is pure action issuing from purity of heart. It is carried along towards others by a force of generosity which is too complete and too fulfilling for it to worry about what it is going to get in return.

Does this sound like meditation? It does, because it is meditation. When the true self is in play everything that is thought and done is a form of meditation. Until then, we have to learn and re-learn to stay centred and be simple. We have to remember when we forget. Saying the mantra is just this learning process. To say the mantra wholeheartedly, generously, purely, begins to orientate the whole person in this un-self-centred direction. It sets this tone for everything. Meditation lets us be compassionate because it is compassionate.



With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.