Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Primeiro Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Primeiro Domingo da Quaresma

Marcos 1, 12-15: Ele estava entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.

Certa vez, uma menininha olhou para mim, quando eu estava usando meu hábito branco e me perguntou 'Você é um anjo?’ Quando surgem perguntas de um lugar puro - mesmo que seja a mente mito-mágica de uma criança de seis anos - elas têm uma força autêntica. Quando esse período de desenvolvimento passa as mesmas perguntas se tornam regressivas ou tolas. Assim, procurar por vestígios de penas de anjos ou imaginar que elas estão pairando atrás de você como nos desenhos animados é não entender a questão. Mas é uma pessoa triste aquela que nunca reconheceu o serviço dos anjos.

Eu não sei o que os anjos são realmente. Talvez eles sejam forças autônomas na psique, ondas de benevolência e compaixão que nos chegam como se fossem mensageiros enviados a partir da fonte divina do amor e nos encontram em nossos momentos mais solitários de aflição. Jesus foi assistido depois de exaurido pelo que passou nos "40 dias" no deserto. Ele havia enfrentado as forças obscuras de seu ego, que o instavam ao poder, à autossuficiência e ao orgulho. Ele havia enxergado além delas e não sucumbiu à tentação de desistir da luta para ser verdadeiro, para permanecer verdadeiro e para refutar as seduções fáceis de ilusão. Mas isso pode ser cansativo às vezes e, como qualquer ser humano, ele precisou ser servido.

Onde podemos encontrar este serviço de amizade e de acompanhamento espiritual em nossas próprias vidas? Talvez, não em hostes de anjos que voam de cima para baixo, mas na partilha da peregrinação cada vez mais profunda no reino do real. Embora o compromisso com a realidade (que também é o signicado de nossa meditação diária) demande solidão, ele também abre à comunidade. As pessoas que encontramos no deserto da nossa solidão são amigos reais. Nós nos reconhecemos mutuamente, nos valorizamos mutuamente, mas também sabemos que não podemos nos possuir mutuamente porque a peregrinação dirige-se mesmo a uma desapropriação de nós mesmos.

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Lent 2015 Daily Reflections

First Sunday of Lent
Mark 1: 12-15: He was among wild beasts, and the angels ministered to him

A little girl looked at me once when I was wearing my white habit and asked me ‘are you an angel?’ When questions arise from a pure place – even if it is the mytho-magical mind of a six year old - they have an authentic force. When that period of development passes the same questions become regressive or silly. So, to look around for traces of angels’ feathers or imagine they are hovering behind you as in cartoons is missing the point. But it is a sad person who has never recognised the ministry of angels.

I don’t know what angels really are. Perhaps they are autonomous forces in the psyche, waves of benevolence and compassion radiating as if they were messengers sent from the divine source of love and meeting us in our loneliest times of distress. Jesus was cared for after exhausted by what he passed through in the ‘forty days’ in the desert. He had confronted the dark forces of his ego, urging him to power, self-sufficiency and pride. He had seen through them and did not succumb to the temptation to give up the struggle to be real, to stay real, and to deny the easy allurements of illusion. But that can be exhausting at times and like any human being he needed to be ministered to.

Where do we find this ministry of spiritual friendship and accompaniment in our own lives? Not perhaps in hosts of angels flying down from above but in the sharing of the pilgrimage ever deeper into the realm of the real. Although the commitment to reality – which is also what our daily meditation signifies - demands solitude it also opens up to community. The people we meet in the desert of our solitude are real friends. We recognise each other, value each other but also know we cannot possess each other because the pilgrimage is even into a dispossession of our own selves.

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.