Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Quinta-feira após as Cinzas

D. Laurence Freeman

Lucas 9, 22-25: o que quiser salvar a sua vida, virá a perdê-la

O poeta inglês George Herbert foi chamado de poeta do clima da alma. Por ser inglês ele podia falar acerca do clima, e tinha uma sintonia fina com suas maiores e menores variações. “Depois de tantas mortes eu vivo e escrevo/sinto mais uma vez o perfume do orvalho e da chuva/e me deleito compondo versos..”

Nossos cinco sentidos e nossa vida física estão intrinsecamente entrelaçados em nossas fases espirituais. Sempre que estados negativos da mente ou padrões recorrentes de egoísmo tornam opaca a nossa vida espiritual, nossos sentidos também perdem sua eficiência. Sentimo-nos entorpecidos, deprimidos e alienados do mundo e de todos os seus relacionamentos nos quais vivemos e respiramos. Porém, sempre que estejamos espiritualmente alertas, nossos sentidos assimilam a vitalidade da vida e, podemos cheirar, enxergar, tatear, ouvir e saborear, seja de maneira encantadora ou repugnante, ao menos sentir de maneira completa pelo que [cada objeto] é. A parcela sensorial de nossa consciência demanda a espiritualidade e, a espiritualidade demanda o sensorial. Quando em equilíbrio, eles se fundem e constituem uma linguagem perfeita e única e, experienciamos a plenitude.

Assim, à medida que a Quaresma avança, leve em consideração as duas práticas que descrevi ontem à luz do que você está sentindo, sem que você se torne conceitual demais, ou idealista demais quanto a elas. A cada dia você poderá avaliar o seu desempenho, mas, mais com desapego e humor, do que com uma atitude de julgamento.

As meditações da manhã e da noite ajustam isso tudo de uma maneira espontânea e natural. Trata-se de se perder a si mesmo completamente, e isso lhe ajuda a se encontrar a si mesmo em sua plenitude. Você não precisa continuar a abrir o capô do automóvel para analisar o motor. Você sentirá que o automóvel (de maneira muito parecida com o ego) estará funcionando bem, e levando-o a seu destino.

Com amor

Laurence

 


 

Texto original em inglês

Lent 2015 Daily Reflections

Thursday after Ash Wednesday
Luke 9:22-25: whoever will save his life will lose it

The English poet George Herbert has been called the poet of the inner weather. Being English he could talk about weather and was finely attuned to its lesser and greater variations. “After so many deaths I live and write/I once more smell the dew and rain/And relish versing..”

Our five senses and physical life are intricately woven into our spiritual seasons. When our spiritual life is clouded by negative states of mind or recurrent patterns that keep us self-absorbed our senses too lose their edge. We feel dull, depressed and unengaged with the world and all its relationships in which we live and breathe. But when we are spiritually awake our senses pick up the vitality of life and we can smell, see, touch, hear and taste – whether it is ravishing or disgusting at least we will sense it fully for what it is. The sensual part of our consciousness needs the spiritual and the spiritual needs the sensual. When they are balanced they merge and form a single, perfect language and we experience wholeness.

So, as Lent gets underway, consider the two practices I described yesterday in the light of what you are sensing. Don’t become too conceptual, too idealised about them. Each day you can evaluate how you have been doing but with detachment and humour rather than a judgemental attitude.

The morning and evening meditations calibrate all this in a way that is natural and spontaneous. It’s how you lose yourself wholly and this helps you find yourself in your wholeness. You don’t have to keep looking under the hood of the car to examine the engine. You will feel that the car (rather like the ego) is running properly and getting you where you are going.

With love

Laurence

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.