Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Quinta-feira após as Cinzas

D. Laurence Freeman

Um jovem rico uma vez veio a Jesus e perguntou o que deveria fazer para “ganhar a vida eterna” – ou, poderíamos dizer, para ser verdadeiramente feliz, alegre e ter certeza de que a vida tem um propósito último. Estava um pouco cheio de si e soava até um tanto condescendente ao chamar Jesus de “bom mestre”. Jesus parece ter sido alguém que respeitava o significado das palavras – um aspecto de sua verdade. Então ele confunde o jovem perguntando por que ele o chamava “bom” se “só Deus é bom”.



Nosso encontro com nosso eu verdadeiro muitas vezes começa assim, com nossa vaidade arranhada ou o estouro da bolha do nosso ego. Às vezes nosso ego gosta de se fantasiar como quem tem uma busca espiritual. Contanto que determine o caminho, ele buscam a Deus, mas com a condição de ficar no controle de tudo. Sendo assim, encontra apenas fragmentos de sua identidade que, em seguida, tenta divinizar. Jesus diz que o jovem precisa apenas obedecer o código moral – ser bom e justo. Não tentar ser nada especial. Apenas seja você mesmo e pratique o controle e a constância.



Então acontece algo incomum. O jovem que busca é claramente tocado e se sente não alguém especial, de forma egoísta, mas uma pessoa única, de maneira extraordinariamente comum. Ele não é melhor ou pior do que a maioria das pessoas. Seu momento de humildade – de autoconhecimento – faz com que ele seja ensinável. Jesus então diz a ele que se ele estiver falando sério sobre o que pediu – para abraçar esta coisa sem nome, este algo mais que ele deseja –, então ele deve se desapegar completamente de todas as suas posses e não só compartilhar, mas doar tudo. Ele vai embora com o coração pesado, pois não pode fazer isso, pelo menos não naquele momento.



Talvez mais tarde ele tenha aprendido que responder a este chamado a uma absoluta abnegação e pobreza em espírito não seja trabalho para um momento apenas. Oxalá, como qualquer meditante que pratica a meditação diária, ele um dia tenha chegado a entender que mesmo o desafio de fazer a coisa mais difícil conhecida pelo homem – transcender a si mesmo – é um dom. O impossível é uma graça. Só temos de dar um passo inicial e ficar repetindo isso até sabermos que já estamos lá (e de certa forma sempre estivemos). A realização do objetivo humano, portanto, também é um dom gratuito, o trabalho da graça que pode penetrar nossas defesas apenas em nossos pontos mais fracos.

 


 

Texto original em inglês
Thursday after Ash Wednesday

A rich young man once came to Jesus and asked what he had to do to ‘win eternal life’ – we might say be truly happy, content and reassured that life has ultimate purpose. He was a little full of himself and even sounds rather condescending when he calls Jesus ‘good master’. Jesus seems to have been someone who respected the meaning of words – an aspect of his truthfulness. So he spun the young man round by asking why he called him ‘good’ if only God is good’.

Our meeting with our true selves often begins like this – with our vanity being scratched or the bubble of our ego burst. Sometimes our egos like to masquerade as spiritual seekers. As long as they are determining the course, they look for God but on the condition that they stay in control of everything. Therefore they find only fragments of their true selves that they then try to divinise. Jesus tells the young man just to obey the moral code – to be good and fair. Don’t try and be anything special. Just be yourself and practice restraint and consistency.

Then something unusual happened. The young seeker is clearly moved and feels himself to be not special in an egotistical way but unique in an extraordinarily ordinary way. He is no better or worse than most people. His moment of humility – of self-knowledge – makes him teachable. Jesus then tells him that if he is really serious about what he is asking – to embrace this nameless something more that he desires – then he must become completely detached from all his possessions and not just share but give everything. He walks with a heavy heart because he can’t do it, at least not yet.

Maybe he learned later that responding to this call to absolute selflessness and poverty of spirit isn’t the work of a moment. Hopefully, like any daily meditator, he came to understand that even the challenge to do the most difficult thing known to man – to transcend ourselves - is a gift. The impossible is a grace. We only have to take one initial step and to keep repeating it until we know that we are now there (and in a way always have been there). The achievement of the human goal is thus also a free gift, the work of grace that can penetrate our defences only at our weakest spots.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.