Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sexta-feira da 3ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

‘Ele os instruiu para que nada levassem para o caminho, somente um bastão. Nem pão nem alforje, nem dinheiro no cinto. Eles poderiam calçar sandálias, mas não duas túnicas. ’ Eu sempre penso nisso ao fazer minha segunda mala para uma longa viagem e jogar dentro dela alguns livros que eu não terei tempo de ler e nos itens de última hora “apenas para o caso de” que desafiam o bom senso.

Desde as primeiras separações traumáticas da existência humana, a psique anseia por segurança, previsibilidade e controle. Este desejo frequentemente compete com um profundo impulso elementar do espírito para o crescimento, expansão e transformação na união. A velha batalha entre o ego e o self.

O condicionamento social moderno favorece maciçamente o primeiro. Nossa economia social está voltada para a aquisição e a propriedade privada, em vez de para a partilha e a simplicidade. Em alguns indivíduos e culturas o instinto de acumulação torna-se desenfreado, e apenas poucos de nós estão livres disso. A meditação se constitui em uma força de potencial tão revolucionário porque expõe os enganos deste condicionamento e nos mostra a partir de dentro o que significa ser livre. Livres não para consumir até enjoar, mas para dar com alegria.

O mantra revela a alegria de não-possessividade que é o significado da primeira bem-aventurança, o programa para a felicidade sustentável no ensino de Jesus: Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino de Deus.

A pobreza do mantra é tudo o que precisamos. Descobrir isto é despertar para a vida vivida na presença de Deus com a consciência de Cristo.

Essa é a descoberta essencial da vida, descoberta que em nível pessoal equivale àquela do genoma humano, um novo continente ou uma nova dimensão para o universo. Essas descobertas pedem uma celebração. O problema da religião é que nos lembramos e transmitimos a celebração mas nos esquecemos da descoberta. A meditação é o explorar, vida é a celebração. A religião não é nada mais do que o ritual que nos lembra disto.

 



Texto original em inglês

Friday Lent Week 3

By Laurence Freeman OSB

‘He instructed them to take nothing for the way beyond a stick. No bread, no pack, no money in their belts. They might wear sandals but not a second coat.’ I often think of this as I pack my second bag for a long flight and throw in books I won’t have time to read and all the many last minute ‘just in case’ items that defy common sense.

From the first traumatic separations of our human existence the psyche craves predictability, security and control. This craving is often in contest with a much deeper elemental drive, of the spirit, to growth, expansion and transformation in union. The age-old battle between ego and self.

Modern social conditioning massively favours the former. Our social economy is geared to acquisition and private ownership rather than towards sharing and simplicity. The hoarding instinct becomes rampant in some individuals and cultures, but few of us are quite free of it. Meditation is such a potential social revolutionary force because it exposes the deceptions of this conditioning and shows us from within what it means to be free. Free not to consume ad nauseam but to give with joy.

The mantra reveals the joy of non-possessiveness that is the meaning of the first Beatitude, the program for sustainable happiness in Jesus’ teaching: Happy are the poor in spirit for theirs is the reign of God. The poverty of the mantra is all we need. Discovering it is awakening to life lived in the presence of God with the mindfulness of Christ.

Discovering this is the essential discovery of life, the personal equivalent to discovering the human genome, a new continent or a new dimension to the universe. Such discoveries call for celebration. The problem with religion is that we remember and pass on the celebrations but forget the discovery. Meditation is the exploring, life is the celebrating. Religion is no more than the ritual reminder of this.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.