Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Quinta-feira da 3ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Uma amiga que está esperando um bebê para daqui a alguns meses tinha acabado de chegar radiante de seu primeiro exame de ultrassom. Quando ela estava saindo ela viu um limão no balcão da cozinha e o pegou e disse ‘é deste tamanho agora’. O bebê ainda não é definidamente ele ou ela.

Grandes árvores nascem de pequenas sementes, de forma natural. Mas a ideia de um bebê – e todas as mudanças que começam a acontecer na vida de uma família desde a concepção. E toda a expansão de vida que está por vir – a ideia é diferente da realidade como ela se desenvolveu até agora. O limão tornou concreta a noção de como uma coisa pequena pode ser um evento muito grande. Mas ainda mais estranha é a resiliência determinada da vida e do crescimento. Uma admiração tão ordinária e ao mesmo tempo inexplicável quanto um ser humano emergente do tamanho de um limão, silencia a mente ruidosa.

São Paulo usa a imagem de um feto em desenvolvimento para descrever sua relação com a comunidade da Galácia que ele amou e cuidou tão intensamente. Estas igrejas locais eram talvez compostas de não mais do que trinta ou quarenta seguidores. Ele ampliou a metáfora do ventre vivo para o processo do crescimento espiritual deles como portadores da pessoa de Cristo. ‘Meus filhos, por quem sofro novamente as dores do parto, até que Cristo seja formado em vós.’

Como o limão isto é um lembrete impressionante de quão real e incompleto o processo está. Quão estranho é assumir que somos ‘Cristãos’ quando nós ainda temos dificuldade de saber o que isso significa. O momento presente é anunciado em cada tique do relógio, cada movimento do botão de contagem regressiva. Mas o momento não pode ser captado. O tempo não pode ser congelado a não ser em realidade virtual. Na vida real nós somos uma flecha atravessando tempo e espaço.

Talvez seja por isso que nós precisamos de estações, para diferenciar a passagem contínua do tempo. Elas nos lembram que nós precisamos aprender a viajar conscientemente, mesmo que nós não saibamos do que estamos conscientes. Apenas esteja consciente torna-se a regra. E deixe os objetos da consciência se apresentarem sequencialmente; e veja o que fica, e por quanto tempo, e também o que passa. Para esta crescente conscientização nós precisamos da clareza e da calma de mente que vem com o foco que a disciplina e a Quaresma e a meditação trazem.

 



Texto original em inglês

Thursday Lent Week 3

By Laurence Freeman OSB

A friend who is expecting a baby in a few months had just come back radiant from her first scan. As she was leaving she saw a lemon on the kitchen counter and picked it up and said ‘it is this size now.’ It is still an it.

Great oaks from little acorns grow, naturally. But the idea of a baby – and all the changes it has begun to bring into the life of the family from conception. And all the expansion of life that is to come – the idea is different from the actual thing as it has developed up till now. The lemon brought home how big an event a small thing can be. But even more strange is the resilient purposefulness of life and growth. Such an ordinary and yet inexplicable wonder as an emerging human being the size of a lemon silences the chattering mind.

St Paul uses the image of a developing foetus to describe his relationship to the community in Galitia that he loved and cared for so intensely. These local churches were perhaps composed of no more than thirty or forty followers. He extended the metaphor of the living womb to the process of their spiritual growth as bearers of the person of Christ. ‘My children, I am again suffering labour pains for you until Christ is formed in you.’ 

Like the lemon it is a striking reminder of how real and incomplete the process is. How odd it is to assume that we are ‘Christian’ when we hardly yet know what it means. The present moment is announced at each tick of the clock, each movement of the countdown button. But the moment cannot be grasped. Time cannot be frozen except in virtual reality. In real life we are an arrow shooting through time and space.

This is perhaps why we need seasons, to differentiate the continuous passage of time. They remind us that we must learn to travel consciously, even if we don’t know what we are conscious of. Just be conscious becomes the rule. And let the objects of consciousness present themselves sequentially; and see what stays, and for how long, and also what passes. For this growing consciousness we need the clarity and calmness of mind that comes with the focus that discipline and Lent and meditation brings.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.