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Terça-feira da 3ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

“Eu não tenho nada, eu não quero nada, eu não sei nada.” O refrão dos místicos medievais pode soar um tanto negativo aos nossos ouvidos e talvez o pronome pessoal suspeitosamente realçado. Muitas vezes eu na afirmação do não eu.

Assim: os que sabem não falam e os que falam não sabem. Essa é uma velha sabedoria desafiadora. Mas não tão prática. Em Máximo o Confessor, somos alertados de que há um meio termo. A pessoa que sabe tem uma pequena janela de oportunidade para falar enquanto a experiência ainda está fresca. Mas quando acaba o aroma do pão recém assado, é melhor silenciar. Isso é relevante não apenas para escritores espirituais, mas para todos nós em uma cultura que fala antes de pensar e, raramente, realmente ouve o que os outros estão dizendo.

É muito difícil encontrar palavras para descrever as experiências mais profundas em nossa jornada através do Deserto para a Terra Prometida, através da vida para a Vida. Temos que nos conter e não desanimar em cada fraqueza ou aparente contradição. No caso de um horizonte que recua é difícil manter a perspectiva; ainda assim precisamos nos manter caminhando, olhando e seguindo adiante. Do contrário, assim como qualquer comitê que se forme para uma causa qualquer, nós facilmente ficamos presos nas controvérsias do ego. Argumentando nosso próprio ponto de vista do apego à nossa própria versão da realidade. O egoísmo perde de vista o cenário maior que esses dias vazios – ou de todo modo menos aquisitivos – da Quaresma ajudam a focalizar novamente.

O que está implícito no refrão medieval triplo é uma conclusão silenciosa: eu sou nada. O eu é tragado no nada e não pode mais falar ou pensar sobre si mesmo ou seus temas favoritos. Isso soa pura negatividade fora da experiência da oração. Na oração pura da meditação – a atmosfera mais rarefeita e não poluída das altas montanhas onde a rocha encontra o ar – o limite do nada é sentido como o começo da promessa total do ser. O nada é entendido, mais profundamente do que palavras, como aquilo que dá total plenitude aos nossos dias mais vazios.

 



Texto original em inglês

Tuesday Lent Week 3

By Laurence Freeman OSB

“I have nothing, I want nothing, I know nothing.” The refrain of the medieval mystics might sound a touch negative to our ears and the personal pronoun perhaps suspiciously highlighted. Too much I in the assertion of no-self.

So: those who know do not speak and those who speak do not know. This is an old challenging wisdom. But not so practical. In Maximus the Confessor we are told there is a half-way place. The person who knows has a short window of opportunity to speak while the experience is still fresh. But when the scent of the newly-baked bread has gone, better keep quiet about it. This is relevant not only to spiritual writers but to all of us in a culture that speaks before it thinks and rarely listens deeply to what others are saying.

It is very difficult to find the words to describe the deepest experiences on our journey through the Desert to the Promised Land, through life to Life. We have to be restrained and not jump on every weakness or apparent contradiction. In the case of a receding horizon it is hard to keep perspective; yet we need to keep going, looking and moving ahead. Otherwise, like every committee ever set up for whatever cause, we easily get stuck in the disputatiousness of the ego. Arguing our own point of view from attachment to our own version of reality. Egotism loses sight of the big picture which these empty – or anyway less acquisitive – days of Lent help to bring into focus again.

What is implied in the triple medieval refrain is a conclusion left silent: I am nothing. The I is swallowed up in the nothingness and can no longer speak or think about itself or its favourite subjects. This sounds pure negativity outside of the experience of prayer. In the pure prayer of meditation – the thinner, unpolluted atmosphere of the high mountains where rock meets air – the edge of nothing is felt as the beginning of the full promise of being. The nothingness is understood, deeper than words, as the thing that gives fullness to our emptiest days.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.