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Séries de Palestras

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Segunda-feira da 3ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Pequenos ajustes podem fazer uma grande diferença. Imagine as enormes distâncias resultantes de um mínimo erro nas configurações da bússola de uma nave espacial. Ou as breves experiências na infância que estabelecem um padrão que dura décadas antes que o efeito delas possa ser corrigido.

O mesmo ocorre com as configurações de atitude com as quais iniciamos a prática da meditação. Pela razão de algumas pessoas terem alergia a todas as coisas religiosas, as abordagens fisiológica, psicológica ou pragmática podem parecer melhores no início. É como a nave espacial que está sendo direcionada para o próximo planeta em sua rota. 'Vou meditar a fim de obter esses benefícios comprovados.' Benefícios certamente resultarão da prática. Mas, uma vez alcançados, eles alargam o horizonte ainda mais, e a dimensão espiritual ou mais integral da meditação inunda o panorama. O horizonte torna-se um símbolo do infinito, em vez de uma meta de curto prazo. Assim começa um cenário contemplativo que proporciona uma nova explosão de energia para toda a viagem de descobrimento.

O problema no início pode ser pensarmos na contemplação meramente como um meio de obter novas informações. Assim, nos apegamos aos padrões e limitações mentais pré-existentes e tentamos neles encaixar o infinito. Quando isto falha, pensamos que não somos capazes de meditar. Esperançosamente, enfim, chegamos ao ponto - que contemplação não é uma forma de aumentar nosso conhecimento. Ela é o início de uma maneira totalmente nova de saber, que é inexprimível nas maneiras anteriores, às quais estamos acostumados. Isto é realmente intrigante e frustrante para a mente, mas faz profundo sentido e fala diretamente ao coração.

A princípio, a mente diz que tudo isto não faz sentido; mas, na verdade, é apoiado pela mais pura lógica. Para navegar através de um vasto oceano temos que perder de vista a nossa costa de origem. Para abrir a nova forma de percepção, para 'purificar o olho do coração', temos que abandonar nossas vias familiares de saber e cognição e adentrar uma luz tão brilhante que dá a impressão de total escuridão.

Uma vez eu estava sendo examinado por um oftalmologista, em razão de um descolamento de retina, e estava com medo de perder a visão. O médico dirigiu uma luz brilhante aos meus olhos e, quando a retirou, fiquei chocado e aterrorizado, ao perceber que não podia ver mais nada. Contei-lhe isso com alguma aflição, do que ele riu, e descontraidamente tranqüilizou-me.

Aprender a meditar é aprender diariamente que a vida é uma viagem de descobrimento. Quem quiser aprender isto necessita ter em si algo de explorador.

 



Texto original em inglês

Monday Lent Week 3

By Laurence Freeman OSB

Small adjustments can make a big difference. Imagine the vast distances involved in a minor error in a spacecraft’s compass settings. Or the brief experiences in childhood that set a pattern for decades before their effect can be corrected.

So with the attitudinal settings with which we start the practice of meditation. Because some people have an allergy to all things religious, the physiological, psychological or pragmatic approach can seem best at the beginning. It is like the spacecraft being focused on the next planet in its path. ‘I’ll meditate in order to get these proven benefits.’ Benefits certainly follow from practice. But, once achieved, they push the horizon further and the spiritual or more integral dimension of meditation swims into view. Horizon becomes a symbol of the infinite rather than a short-term goal. Thus begins a contemplative setting that provides a new burst of energy for the whole voyage of discovery.

The problem at the beginning can be that we think of contemplation merely as a means of getting new information. So we cling to the mind’s pre-existing patterns and limitations and try to fit the boundless into it. When this fails we think we can’t meditate. Hopefully we finally get the point – that contemplation is not a way of adding to our knowledge. It is the opening of a wholly new way of knowing that is inexpressible in the earlier ways we have been used to before. This is really puzzling and frustrating to the mind but makes deep sense and speaks directly to the heart.

At first the mind says all this is meaningless but, in fact, it is supported by the purest logic. To sail across a vast ocean we have to lose sight of our home shore. To open the new way of perception, to ‘purify the eye of the heart’, we have to let go of our familiar ways of knowing and cognition and to enter a light so bright that it seems utter darkness.

I once was being examined by an eye surgeon for a detached retina and was scared of losing my sight. He shone a bright light into my eyes and when he removed it I was shocked and terrified when I realised I could no longer see anything. I told him this with some anxiety at which he laughed and casually reassured me.

To learn to meditate is learning daily that life is a journey of discovery. Whoever wants to learn this needs to have something of the explorer in them.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.