Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Terceiro Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

O mundo é mundano. Mas ser mundano não é tão estimulante como já foi. Para a maioria das pessoas a vida é a rotina. Mesmo quando a vida é guiada por amor verdadeiro ou pela busca da verdade ou uma questão apaixonante, ninguém pode escapar da monotonia. Então, escapamos de um mundo repetitivo e sem desafios ao tornarmo-nos voyeurs do dramático e do sublime. Nós assistimos a esportes, filmes de ação, novelas hiper dramáticas. E gostamos de casamentos reais e funerais de papas.

Com sua ênfase na saúde e na segurança, a vida moderna é paranóica quanto ao risco. Ela tenta fazer as pessoas e os grupos de trabalho funcionarem como programas de computadores. Os meios de comunicação sustentam-se com os segredos domésticos das celebridades. A vida está desencantada. Alguma coisa mágica se foi. Nós secularizamos, analisamos e desmitificamos o que costumava encantar. Restou apenas o vasto espaço interestrelar ou o mistério da matéria escura. 

Ainda assim, muito do encantamento era falsa interpretação ou auto ilusão. Como os Oscars e as celebridades ainda são. Robbie Williams recentemente admitiu o que seus fãs provavelmente não gostariam de ouvir, que sua persona pública é uma construção inteiramente falsa. 

Então um papa renuncia e o desencantamento parece completo. A cadeia de poder mantida pela mística do posto é perigosamente sacudida. O que acontece com a infalibilidade se você pode renunciar a ela? E quanto ao nosso próprio e mais frágil elo interior?

Mas existe algo de genuinamente encantador que se revelou neste auto desempoderamento? Alguma coisa extraordinária na simples aceitação de ser humano. Alguma coisa que a estória da Páscoa transmite de maneira apaixonada. Alguma coisa que não precisa de maquiagem nem de efeitos especiais.

Um modo de estar no mundo que rejeita ostentação e celebridade, riqueza, poder ou mística. Alguma coisa gloriosa e autenticamente afirmadora na nossa natureza que extravasa o coração partido como nenhuma novela consegue. Uma sarça ardente que encontramos rumo ao trabalho que, ainda que comtemplemos longamente, nunca morre.

 



Texto original em inglês

3rd Sunday of Lent

By Laurence Freeman OSB

The world is worldly. But being worldly isn’t as exciting as it was. For the majority of people life is routine. Even when life is driven by faithful love or a quest for truth or a passionate cause, no one can escape the humdrum. So, we escape a world that is repetitious and unchallenging by becoming voyeurs of the dramatic and sublime. We watch sport, action movies, hyper dramatic soaps. And we love royal weddings and papal funerals.

Modern life with its accent on health and safety, is paranoid about risk. It tries to make people and work-teams run like computer programs. The media feeds on the domestic secrets of celebrities. Life is disenchanted. Something magical has gone. We have secularized, analyzed and demythologized what used to enchant. Only the vast interstellar spaces or the mystery of dark matter are left.

Yet so much of the enchantment was misinterpretation or self-deception. As the Oscars and celebrity still are. Robbie Williams recently admitted what perhaps his fans didn’t want to hear, that his stage self is a totally false construct.

Then a Pope resigns and the disenchantment seems complete. The chain of power upheld by the office’s mystique is rattled dangerously. What happens to infallibility if you can resign it? What about our own inner weakest link?

But is there something genuinely enchanting revealed in such self-disempowerment? Something extraordinary in the simple acceptance of being human. Something that the Easter story passionately conveys. Something that does not need makeup or special effects.

A way of being in the world that rejects showiness and celebrity, wealth, power or mystique. Something glorious and authentically affirming in our nature that breaks the heart open as no soap opera can. A burning bush we encounter on the way to work that, however long we contemplate it, never dies.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.