Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Segundo Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Pedro e os companheiros  achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam. (Lc 9:32)

O Evangelho de hoje é um relato da Transfiguração. Jesus chama os três discípulos em que tem a maior confiança para cima da montanha e lá é fisicamente transfigurado diante deles. A voz do Pai fala da nuvem de presença divina. Para a consciência mundana esta presença é sempre simultaneamente revelada e escondida.

Na última oportunidade, a noite anterior à Páscoa, ele chamou os mesmos discípulos no jardim do Getsemani. Lá eles caíram rapidamente no sono e ele os encorajou a permanecer acordados ao menos meia hora com ele. Já na montanha onde eles viram sua glória interior manifesta, eles estavam quase, mas não totalmente, dominados pelo sono.

O esplendor da Glória ou a perspectiva de sofrimento iminente: parece que ambos podem nos fazer dormir.

O sono é um ótimo restaurador. Depois de alguns dias privados dele ficamos loucos. O sono reequilibra e cura corpo e mente. Mas ele pode ser também a grande fuga. Sob a pressão de eventos externos ou transformações interiores maiores que sabemos estar além de nosso controle, nós facilmente desistimos de tentar acompanhar aquilo tudo e rendemo-nos ao esquecimento do sono. Sempre que somos confrontados com mais do que podemos manejar ou entender, a mente tende a afastar-se e prefere desligar-se. Mas, ninguém se ilumina enquanto dorme.

Então ‘vigiem e rezem’, é ao que somos chamados. Todo meditante luta, especialmente nos estágios iniciais da prática, com a sonolência. Nós nos perguntamos: ‘vou beneficiar-me com isto mesmo se eu pegar no sono?’ ou ‘estou dormindo ou talvez numa consciência mais elevada’?

Nós temos que viajar através da terra de ninguém do sono, que inclui todos os níveis de consciência do sono. A tentação é sucumbir, cair no estado de devaneio que fica a meio caminho, ou até mesmo no completo esquecimento. A fidelidade ao mantra ajuda através desta zona a qual nosso mestre Cassiano chamava de ‘sono pernicioso’ e John Main de ‘santa flutuação’. A meditação é sempre o trabalho de acordar.

É no lado oposto a essa sonolenta zona de evasão e desengajamento que entramos no reino da liberdade e desapropriação. Então a glória nos cerca e o fundamento do ser torna-se conhecido para nós. Esta é nossa própria transfiguração na única e grande transfiguração do Cristo.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.