Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Terça-feira da 1ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Quando eu estava na Índia recentemente, um de nossos guias comentou que em adição ao seu conhecimento do lugar que visitávamos, ele e sua família eram astrólogos. E sem demora as pessoas foram vagarosamente se aproximando dele e pedindo para que as palmas de suas mãos fossem lidas. E ouvia-se então a resposta costumeira – ‘é extraordinário como ele sabe...’ , etc..

É difícil negar os caminhos de satisfação à curiosidade que todos temos sobre nosso futuro e sobre nós mesmos. Seja o que for que você acredite sobre o realismo desse tipo de conhecimento, a curiosidade é insaciável – e pode facilmente se tornar um vício.

Mas há um tipo mais fidedigno de conhecimento – aquele que os padres do deserto disseram ser mais importante para nossa jornada espiritual, mais do que o poder de realizar milagres. O autoconhecimento não é uma forma de conhecer meramente racional, que possa ser medida. É mais do que um estado psicológico consciente ou informativo sobre nós mesmos. Não aparece de uma curiosidade egocêntrica ou fascinação que tenhamos conosco mesmo. Nós não somos um objeto de nosso autoconhecimento. É pura e indivisível subjetividade. É um tipo transformativo de conhecimento que nos move rapidamente junto ao espectro do nosso desenvolvimento. E muda os mundos que habitamos ao longo do caminho.

Meditação – a quintessência do ‘caminho do não conhecimento’ – permite esse tipo de conhecimento que nós encontramos no centro mais profundo de nossa consciência (o espaço infinito do coração humano). À medida que peregrinamos para dentro desse centro profundo um processo de integração e transformação revela-se. O conhecimento espiritual que flui daí não está em algum plano secreto ou esotérico. Ele permeia cada nível dos sistemas de nossa vida, nossas emoções, trabalho, relações e crenças. O ego se torna não mais o sol em volta do qual nós orbitamos, porém um prático, embora pequeno satélite em volta de um centro verdadeiro e universal.

O particular e o universal, o grande cenário e o detalhado, o local e o global encontram sua verdadeira relação. Nós sabemos - no autoconhecimento - não apenas quem somos, mas também o que devemos fazer.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.