Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sábado após a Quarta-feira de Cinzas

D. Laurence Freeman

O terceiro tipo de prática que representa e aprofunda a meditação durante a Quaresma: Doação.

A verdadeira doação é uma realização rara. Em geral, quando doamos alguma coisa, estamos presos a cordas invisíveis.


Podemos ter a expectativa de receber algo em troca – um presente, o reconhecimento, uma recompensa, a gratidão – ou apenas desfrutar da sensação de que somos pessoas boas e generosas. Se não nos sentimos recompensados, então acreditamos ter o direito de ficar magoados ou ressentidos.

Jesus diz que, quando doamos algo, não devemos deixar nossa mão esquerda saber o que a mão direita está fazendo. Uma grande exigência, ser tão simples e desapegado. Mas, em essência, é o mesmo que deixar para trás nossas necessidades e expectativas ao meditar, simplesmente repetindo o mantra, como uma criança. Os mestres do deserto diziam: o monge que sabe que está rezando não está realmente rezando; o monge que não sabe que está rezando está rezando de verdade.

Numa cultura como a nossa, centrada na individualização e na autoanálise, fica difícil compreender o significado disto e, mais difícil ainda, acreditar que se trata de sabedoria. Não seria esta uma noção que entra em conflito com as qualidades da consciência de si mesmo e do autoconhecimento? No entanto, se não experimentarmos esta sabedoria (em Latim, sabedoria é sapientia, da palavra sapere, que significa provar, sentir o sabor), permaneceremos presos nesta fixação do doador autoconsciente, aquele que dá mas não consegue se desapegar do objeto dado.

Cada ato de doação verdadeira é um meio de doação de si mesmo. Quando tivermos vivenciado este tipo de doação, saberemos que ela não é avaliada pelo objeto doado em si. Ela nos transforma, despertando em nós a capacidade de nos doarmos a nós mesmos. A doação verdadeira está no núcleo do mistério da Páscoa, para o qual nos preparamos para penetrar mais profundamente, durante a Quaresma.

John Main disse certa vez que a melhor preparação para a meditação se faz por meio de pequenos gestos de bondade. Doar sem que nos tenha sido pedido e sem esperar ou pedir nada em troca: pode ser dinheiro, podem ser objetos e também o tempo. Um sorriso e um agradecimento para o motorista de ônibus cansado, ou para o rapaz da limpeza do lavatório. Tal doação – para a qual somos treinados pelo mantra – enche de luz dourada um mundo opaco ou deprimido.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.