Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sábado da 5ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

João Cassiano, o mestre da vida espiritual do século 5, nos aconselha a dizer o mantra continuamente em nossos corações, “na prosperidade e na adversidade”.

A economia global ilustra os dramáticos altos e baixos da vida. Os períodos de boom econômico, em que as expectativas e a ganância ficam desenfreadas, acabam em falência. Então seguem-se tempos de austeridade que, como sempre, impõem as maiores privações aos membros mais vulneráveis da sociedade. Trajetórias pessoais e destinos também podem chegar nas alturas e depois serem banalizadas nos jornais. Até nossos humores e nossa saúde física têm seus ciclos de prosperidade e adversidade.

É difícil não se apegar aos tempos prósperos, e nos enganamos pensando que fizemos por merecê-los, acreditando que tudo vai ficar bem para sempre. A fantasia – ou escapismo – é a grande inimiga da moderação. Os fracassos da vida e o destino podem nos arrastar ao desespero e ao isolamento. Mesmo assim, tememos a moderação, que nos parece sem graça e entediante; e queremos sentir que a vida é excitante e cheia de aventuras. Se não temos coragem de viver desta forma, nós o fazemos indiretamente, através de filmes e histórias.

Na verdade, o meio-termo é como a lâmina de uma faca, um ato no alto da corda bamba. É preciso que ocorram muitos tropeços e quedas para que se aprenda a caminhar bem. A moderação é o caminho e, no sentido mais profundo, o objetivo final. O centro da realidade exerce a força que nos mantém equilibrados à medida em que atravessamos o desfiladeiro da vida. Quando reincidimos na ideia de que alcançamos este equilíbrio por nossa própria vontade ou inteligência, logo teremos mais uma queda.
Equilíbrio pessoal interior e perspicácia mental: é a isso que Cassiano se refere em seu asceticismo do mantra. É aí que se conecta o centro universal: em nosso próprio centro individual.

Toda oração que não esteja focada nas tubulências de nosso próprio destino é uma oração do coração. Quanto mais houverem no mundo pessoas equilibradas e profundamente centradas, maior será o nível de justiça em todas as instituições. Quanto menor for a distância entre ricos e pobres, mais próximos estaremos da realidade.

Em breve vamos contemplar a Cruz com grande intensidade. O que ela nos revela sobre equilíbrio, enraizamento e compaixão? A que se refere John Main quando diz que cada vez que meditamos nós penetramos na morte e ressurreição de Jesus?

 



Texto original em inglês

Saturday Lent Week 5
By Laurence Freeman, OSB 

 

John Cassian, the 5th century master of the spiritual life, advises us to say the mantra, continuously revolving it in the heart, ‘in prosperity and adversity’.

The global economy illustrates the often dramatic ups and down of life. Boom periods where expectations and greed run amok lead to bust. Then times of austerity follow and, as always, inflict most hardship on the most vulnerable members of society. Personal careers and fortunes can also ride high and then be smattered over the newspapers in a moment. Our moods and physical health have their cycles, too, of prosperity and adversity.

It is hard not to grab at the prosperous times and fool ourselves into thinking that we have made it for good and that all will always be well. Fantasy – escapism - is the great enemy of moderation. The downturns in life or fortune can also mire us in despair and isolation. Yet we fear moderation because it seems tepid and boring; and we want to feel life as something thrilling and adventurous. If we don’t have the courage to live it this way ourselves, we do it vicariously through films and stories.

Actually the middle way is a knife-edge, a high-wire balancing act. It takes many stumbles and falls from great heights to learn how to walk it well. Moderation is the way and in the deepest sense the goal. The centre of reality exerts the force that holds us in balance as we walk across the ravine of life. When we relapse into thinking that it is achieved by our own willpower or cleverness, it won’t be long before we have another fall.

Personal, interior balance and sharpness of mind is what Cassian is talking about in his asceticism of the mantra. That is where the universal centre is connected with: in our own personal centre.

All prayer that is not an indulgence of the rollercoaster of fortune is the prayer of the heart. The more personally balanced, deeply-centred people in the world there are, the greater the level of justice in all institutions. The more the gulf between rich and poor narrows, the closer we all come to reality.

Soon we will be contemplating the Cross with particular intensity. What does it say to us of balance, rootedness and compassion? What does John Main mean when he says that every time we meditate we enter into the dying and rising of Jesus?

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.