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Terça-feira da 5ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Ken Wilber escreveu certa vez um relato muito comovente acerca de seus cuidados para com sua recente esposa que atravessava sua última doença. Como bem podem apreciar aqueles que conhecem seus outros trabalhos literários, ele é um intelectual nato, com um grande apetite para aquisição e integração de conhecimento e compreensão.

Seus livros tornando-se cada vez mais longos. Mas quando se tornou claro que o câncer de sua esposa era terminal ele abandonou todas suas outras atividades e interesses para concentrar-se nos cuidados e no estar com ela. À medida que o estresse disso aumentou ele começou a desmoronar sob a pressão. Sombras sinistras começaram a aparecer até que um amigo lhe disse para separar ao menos uma ou duas horas a cada dia para seu trabalho intelectual, o que ele sabiamente fez.

Nós somos o que somos, e não podemos mudar a nós mesmos apenas por vontade ou pensamento. Ser é tudo para o que fomos realmente feitos. É completa realização e felicidade e permite o cumprimento de nossas responsabilidades. O primeiro passo para sermos nós mesmos é aceitar quem somos, especialmente, no caso de pensarmos que deveríamos ter recebido outras características inscritas em nosso software a partir do momento de nossa criação.

"Na meditação aceitamos o dom de nosso ser". Essa curta definição de John Main soa ainda mais verdadeira a cada etapa da jornada da meditação. Seu significado pode ser explorado ainda mais profundamente. Entretanto esse trabalho de auto-aceitação é muito mais difícil e mais exigente do que a mentalidade de mera autoajuda aprecia. Portanto, aceitar e ser quem somos deveria começar conscientemente tão cedo quanto possível, antes que a incrustação de eus imaginários se torne muito espessa. Muitos desses eus são origem de sofrimentos e complexidades porque eles nos imprimem padrões de fracasso e frequentemente nos levam à autorrejeição, exatamente o oposto daquilo que é natural.

Rejeitar essas camadas de identidade é como recusar roupas desnecessárias. Nós precisamos de algumas roupas para nos agasalhar ou proteger, ou para sermos respeitosos com os nossos companheiros de metrô. Mas, na jornada espiritual, precisamos do mínimo possível.

Jesus teria sido crucificado nu. Na ressurreição as roupas já não eram um problema.

 



Texto original em inglês

Tuesday Lent Week 5
By Laurence Freeman, OSB

Ken Wilber once wrote a very moving account of caring for his newly wed wife through her last illness. As those who know his other writings will appreciate, he is a born intellectual with a huge appetite for acquiring and integrating knowledge and understanding. His books get longer and longer. But as it became clear that his wife’s cancer was terminal he abandoned all his other activities and interests to concentrate on caring for and being with her. As the stress of the role increased he began to crack under the strain. Ominous shadows began to appear until a friend told him to take at least an hour or two each day for his intellectual work, which he wisely did. 

We are who we are, and we cannot change ourselves by will or thought alone. Being is all we are most deeply meant to do. It is complete fulfillment and happiness and allows for the fulfillment of our responsibilities. The first step in being ourselves is to accept who we are even – especially – if we think we should have had other features written into our software from the moment of our creation.

‘In meditation we accept the gift of our being’. John Main’s short definition rings truer each stage of the journey of meditation. Its meaning can be explored ever more deeply. Yet this work of self-acceptance is a great deal harder and more demanding than the merely self-help mentality appreciates. Therefore, accepting and being who we are should consciously start as early as possible, before the encrustation of imaginary selves becomes too thick. Many of these selves are sources of suffering and complexity because they set us up for patterns of failure and so often lead to self-rejection, the very opposite of what is natural.

Shedding these layers of identity is like refusing unnecessary clothing. We need some clothes, for warmth or protection or to be respectful to our neighbours on the subway. But, on the spiritual journey, as few as possible.

Jesus would have been crucified naked. In the Resurrection clothes were no longer an issue.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.