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Reflexões da Quaresma

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Séries de Palestras

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5º Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Ao amanhecer, ele voltou ao Templo, e todo o povo ia ao seu encontro. Então Jesus começou a ensinar. ..Então Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Os doutores da lei e os fariseus continuaram insistindo na pergunta. Então Jesus se levantou e disse: “Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra.”. E, inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão... (Jo 8:1-11)

 

Como Sócrates e o Buda, Jesus ensinava através da palavra falada. Ele não deixou livros ou tratados e tudo que sabemos dos seus ensinamentos é por tradução. O que pode parecer introduzir uma considerável distância entre ele e nós. Por um lado isso realmente ocorreEm seu tempo ele comovia as pessoas até cerne de seu ser, com suas palavras, e no entanto, nós nem sabemos as palavras exatas que ele usou.

Por outro lado esse silêncio de Jesus nos aproxima perigosamente dele. As palavras que temos são pistas, dedos que apontam. Elas comunicam suas ideias. Mas, aquilo que cativa o coração e cria um elo de amor que se torna discipulado é uma presença viva – mais que uma memória histórica ou um legado literário que tenhamos que desconstruir.

As palavras dos evangelhos são importantes e preciosas, mas até elas perdem o brilho se comparadas com o espírito de sua presença. Podemos vislumbrar o quão poderosa é essa presença nessa estória da mulher surpreendida em adultério (e do homem invisível que escapou ileso). Se isso parece arcaicolembremos apenas a justiça vingativa através da qual o Taliban trata a mesma forma de punição nos dias de hoje.

Nós todos já fomos surpreendidos em adultério por vezes. Pelo menos o adultério que Jesus identificou como residindo na imaginação e na fantasia, não só especialmente sexual, mas qualquer forma de fuga da realidade ou responsabilidade. O ego, enfurecido com vergonha ou auto-rejeição, sempre quis apedrejar nossa interioridade mais frágil ou, por projeção, outros até a morte.

Não são palavras que nos salvam deste destino trágico, mas a presença genuína. Esta presença não é dissipada ou exilada nem mesmo pelo pior que possamos fazer ou pensar. Suas palavras estão escritas no chão de nosso serno pó do qual todos somos feitos. Mas o que coloca a raiva de lado e esvazia é o poder de um verdadeiro, suave e firmeincontestável amor.

 



Texto original em inglês

5th Sunday Lent

As all the people came to him, he sat down and began to teach them.. ThenJesus bent down and started writing on the ground with his finger. As they persisted with their question, he looked up and said, ‘If there is one of you who has not sinned, let him be the first to throw a stone at her.’ Then be bent down and wrote on the ground again… (Jn 8:1-11)

Like Socrates and the Buddha, Jesus taught by the spoken word. He left no books or treatises and all we know of his teaching is in translation. That might seem to put a great distance between him and us. In a sense it does. In his time he moved people by his words to the core of their being while we don’t even know the exact words he used.

But in another sense this silence of Jesus brings us dangerously close to him. The words we have are hints, pointing fingers. They communicate his ideas. But what engages the heart and develops the bond of love that becomes discipleship is a living presence - more than either a historical memory or a literary legacy that we have to deconstruct.

The words of the gospels are important and precious but even they pale by comparison with the spirit of his presence. How powerful this presence is can be glimpsed in this story of the woman caught in adultery (and the invisible man who got away with it). If it seems archaic we have only to remember the vindictive justice in which the Taliban deals out the same kind of punishment today.

We have all been caught in adultery at times. At least, the adultery that Jesus identified as residing in imagination and fantasy, not only specifically sexual but any form of escaping reality or responsibility. The ego, in a rage of shame or self-rejection, has often wanted to stone our weaker selves or, by projection, others to death.

It is not words that save us from this terrible fate but pure presence. This presence is not dispelled or exiled by even the worst we can do or think. Its words are written in the ground of our being, the dust of which we are all made. But what turns the anger aside and deflates it is the power of a true, gentle and undeflectable, undeniable love.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.