Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Sexta-feira da 4ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

A angústia da perda de hoje pode se tornar a alegria da libertação de amanhãa. Nós realmente não entendemos a natureza do apego que causou a dor, quando fomos submetidos à perda ou à separação, até que a operação acabe e o trauma desapareça.

Ou suspiramos aliviados ao compreender que fomos libertos de um vício ou de uma ilusão compulsiva, ou vemos que o que perdemos tornou-se uma experiência de morte genuína que nos arrasta em um turbilhão de rendição a algo maior do que podemos controlar. Se nós perdemos alguma coisa estamos melhor sem ela; retomamos a vida com renovado entusiasmo. Tínhamos tantas coisas de valor imobilizadas em um mau investimento, mas agora elas estão líquidas de novo e podem ser investidas na vida com retorno muito melhor do que antes. 

Há dor e pontadas periódicas de arrependimento. Como os Hebreus no deserto que regularmente se rebelavam contra sua libertação do Egito e só podiam pensar no peixe "que costumávamos comer de graça no Egito, os pepinos, melões, cebolas e alho! Aqui estamos nós definhando, despojados de tudo; e só temos diante de nós o maná” Oh não, não esse maná sobrenatural novamente. Nenhum vício termina instantaneamente. Nem o tempo de aprisionamento termina assim que a porta seja aberta.

Mas as perdas mais profundas da vida são diferentes. A diferença é revelada quando, na medida em que nosso apego enfraquece, em seu lugar um vazio escuro se abre ao nosso redor. A primeira é como ir ao dentista. Esquecida assim que termina. Esta é uma grande cirurgia com uma anestesia tão forte que nos tira do ar. Há tanta coisa nova e indesejável que não temos escolha a não ser aceitar e integra-las.

Perceber a distinção entre estes dois tipos de perda nos faz viver sabiamente. A percepção necessária é adquirida através das micro-perdas a que nos submetemos livremente ao lidar com as distrações durante a meditação.

 



Texto original em inglês

Friday Lent Week 3

By Laurence Freeman OSB

The anguish of loss today can become the joy of deliverance tomorrow. We don’t really understand the nature of the attachment that caused the pain when separation or loss came until the operation is over and the trauma subsides.

Either we breathe a sigh of relief as we realise we have been delivered – from an addiction or a compulsive delusion, for example. Or we see that what we have lost has become a genuine death experience that drags us into a vortex of surrendering to something vaster than we can control. If we lost something we are better off without, we pick up life again quickly with renewed enthusiasm. We had so many assets tied up in a bad investment but now they are liquid again and can be invested in life with much better returns than before.

There are pain and periodic twinges of regret. Like the Hebrews in the desert who regularly rebelled against their deliverance from Egypt and could only think of the ‘fish we used to eat free in Egypt, the cucumbers, melons, leeks, onions and garlic! Here we are wasting away, stripped of everything; there is nothing but manna for us to look at!’ Oh no, not that supernatural manna again. No addiction ends instantly. No time of imprisonment ends at the moment the door is unlocked.

But the deeper losses of life are different. The difference is revealed when, as our attachments weaken, in their place a dark void opens all around us. The first is like going to the dentist. Forgotten when it’s over. This is major surgery with a strong anaesthetic that puts us out. There is so much that is new and unwelcome that we have no choice but to accept and integrate.

Seeing the distinction between these two kinds of loss makes for living wisely. The perception needed is gained through the micro-losses we freely undergo by dealing with distractions during meditation.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.