Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Quinta-feira da 4ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Logo a Quaresma se transformará em uma das maiores e mais profundas de todas as reflexões sobre a natureza e o significado do sofrimento. Vamos esperar que estejamos prontos para ela neste ano.

Existem muitas formas de sofrimento, assim como existem muitas manifestações de amor. Talvez no grande segredo cósmico elas sejam exatamente proporcionais.

Quando a mente está confusa, tomada pela dúvida, dividida e agitada, nós experimentamos um tipo particular de sofrimento. Ele pode não aparecer – ainda – na superfície de nossas vidas e em nossas interações com os outros. Isso depende da nossa medida de auto-controle ou da nossa habilidade de disfarçar. Mas, em algum momento, não existe nada escondido que não seja exposto. Poucos segredos vão para o túmulo – ou permanecem lá por muito tempo.

O sofrimento mental é geralmente tido como pior do que a mera dor física; apesar da comparação de graus ou formas de sofrimento ser uma abstração, um luxo daqueles que observam, mas não vivem a experiência. A angústia mental, porém, pode de fato ser pior porque ela é particularmente isolante; e para os de fora – mesmo aqueles que têm soluções e esperança para dar a você – ela muitas vezes é percebida como exagerada. Você sente que eles ouvirão com empatia, mas estarão secretamente pensando (como você pode estar também), ‘por que você não apenas lida com isso e arruma a sua mente?’

O problema é que a mente não pode se arrumar sozinha. Pensar sobre o assunto não resolve o tema. Para resolver um dilema e diminuir o sofrimento da confusão nós precisamos de percepção, sabedoria, da inteligência que não pode ser medida por testes cognitivos. Está lá, como uma fonte pura debaixo do solo de lama, sempre fluindo.

Talvez a gente acompanhe política e celebridades de forma tão ávida porque nós vemos refletidos lá, a uma distância segura, os argumentos inconclusivos e as distrações auto-indulgentes que afligem nossas próprias mentes e estilos de vida.

Sim, é difícil colocar a meditação em um cenário tão confuso. O deixar de lado os pensamentos. Fé na fonte pura. A paciência da prática regular que em si mesma envolve um tipo de sofrimento – mas do tipo redentor.

 



Texto original em inglês

Thursday Lent Week 3

By Laurence Freeman OSB

Soon Lent will be transitioning into one of the greatest and deepest of all reflections on the nature and meaning of suffering. Let us hope we are ready for it this year.

There are many forms of suffering, as there many manifestations of love. Maybe in the great cosmic secret they are exactly proportionate.

When the mind is confused, doubt-stricken, divided and agitated we experience a particular kind of suffering. It may not appear – yet – on the surface of our lives and in our interactions with others. That depends on our measure of self-control or on our ability to put on a good face. But, eventually, there is nothing hidden that will not be exposed. Few secrets go to the grave - or stay there long.

Mental suffering is often said to be worse than merely physical pain; although comparing degrees or forms of suffering is an abstraction, the luxury of those who observe but don’t experience. Mental anguish, however, may indeed be worse because it is particularly isolating; and to outsiders – even those who have solutions and solace to give you – it often seems exaggerated. You feel they will listen with empathy but are secretly thinking (as you may be too), ‘why don’t you just get on with it and make up your mind?’

The problem is that the mind cannot make up itself. Thinking about something doesn’t solve it. To resolve a dilemma and decrease the suffering of confusion we need insight, wisdom, the intelligence that cannot be measured by cognitive tests. It is there, like a pure spring under muddy soil, ever-flowing.
Perhaps we follow politics and show-business so avidly because we see reflected there, at a safe distance, the inconclusive arguments and self-indulgent distractions that beset our own minds and life-styles.

Yes, it’s hard to put meditation into such a confused picture. The laying aside of thoughts. Faith in the pure spring. The patience of regular practice that itself involves suffering of a kind – but of a redemptive kind.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.