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4º Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Medo e ressentimento são duas das forças mais corrosivas do coração humano. Quando estamos em suas garras convencemo-nos que são justificadas. Cada uma provoca danos através de todas as dimensões de nossa vida porque elas desenvolvem-se, ou se inflamam, na convicção de que não somos amados simplesmente por sermos quem somos. Nós podemos conhecer o amor, até mesmo estarmos amando, mas sua luz demora a penetrar nas mais escuras profundezas de nossa mente. Salvação, redenção, iluminação, libertação – consistem da luz do amor que dissipa toda a escuridão remanescente.

A consciência tanto é consequência do amor que podemos dizer que consciência é amor. Onde não experimentamos amor permanecemos sem redenção, inconscientes.

O filho pródigo no Evangelho de hoje deveria se chamar a estória dos dois irmãos. Nós focalizamos o mais jovem que esbanja descomedidamente. Ele se parece conosco ou com o que gostaríamos de ser, jovens, perdulários e amantes do divertimento. Então, ele esgosta os recursos e arrasta-se para casa com seu rabo entre as pernas. Ele tem medo da reação de seu pai. Seu irmão é aparentemente menos atraente, menos popular; aquele que, obediente, ficou em casa fazendo aquilo que seu pai esperava. Mas agora seu pai espera que ele comemore a volta de seu irmão arteiro e isso é demais. Ele está ressentido. Os dois irmãos são os dois lados do ego, medo e raiva, baixo nível de consciência, incapaz de compreender o amor.

O pai é tudo o que não esperamos que um patriarca tirano seja. Deus nunca é o que imaginamos. Ele ignora as desculpas piedosas do moço. Ele é movido pela piedade quando o vê, o abraça calorosamente e o beija carinhosamente. Para a amargura do filho mais velho ele não reage com raiva, mas com paciência e gentileza, lembrando-o de que tudo o que ele tem pertence também ao filho. Nenhum dos filhos parece entender a questão. Eles são amados por serem quem são.

Palavras podem no máximo persuadir. Ações falam mais alto. Meditação é genuína ação. Alguma coisa acontece quando nos tornamos silentes e quietos, abandonando pensamentos, e os medos e ressentimentos que eles carregam. Em silêncio e quietude, quando a mente encontra sua condição natural de equanimidade, não podemos mais projetar essas percepções corrosivas e enganosas na realidade. Há um momento breve, um piscar de olhos, quando perdemos tudo incluindo nossas identidades. Então o amor aparece, uma luz que ilumina toda a realidade assim como o sol salienta as cores, para jamais ser esquecido.

 



Texto original em inglês

4th Sunday of Lent

By Laurence Freeman OSB

Fear and resentment are two of the most corrosive forces in the human heart. When we are in their grip we are convinced they are justified. Each wreaks their harm throughout all dimensions of our life because they grow, or fester, in the conviction that we are not loved simply for ourselves. We may know love, even be in love, but its light takes time penetrate to the darkest depths of our mind. Salvation, redemption, enlightenment, liberation - consist in the light of love dispelling all the remaining darkness.

Consciousness is so much the consequence of love we could say that consciousness is love. Where we do not experience love we are as yet unredeemed, unconscious.

Today’s gospel of the prodigal son should be called the story of the two brothers. We focus on the younger one who sows his wild oats. He seems like us or what we would like to be, young, profligate and fun-loving. Then he runs out of resources and creeps home with his tail between his legs. He is frightened of his father’s response. His brother is apparently less attractive, less popular; the obedient one who stayed at home doing what his father expected. But now his father expects him to celebrate his wayward brother’s return and this is too much. He is resentful. The two brothers are the two sides of the ego, fear and anger, low-level consciousness, unable to understand love.

The father is everything we don’t expect a patriarchal tyrant to be like. God is never what we imagine. He ignores the young boy’s pious apologies. He is moved by pity when he sees him, embraces him warmly and kisses him tenderly. To the older son’s bitterness he shows not anger but patience and kindness, reminding him that everything he owns belongs to the boy as well. Neither son seems to get the point. They are loved for who they are.

Words can only persuade so far. Actions speak louder. Meditation is pure action. Something happens when we become silent and still, letting go of thoughts and of the fears and resentments they carry. In silence and stillness, when the mind finds its natural condition of equanimity, we can no longer project these corrosive and mistaken perceptions onto reality. There is a brief moment, the blink of an eye, when we lose everything including our selves. Then love appears, a light illuminating all reality as the sun brings out colour, never to be forgotten.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.