A santidade dos pequenos detalhes, como Blake a chamou, é o sagrado de toda encarnação: quando palavras tomam corpo, a fé se torna ativa no amor e, as promessas são cumpridas. A Imobilidade, que é o requisito para que se preste atenção, revela a infinita profundidade do pequeno. Adentrarmos o reino do infinito através da profundidade das pequenas coisas, é mais direto, por ser mais humilde, do que por meio da constante imaginação de algo cada vez maior.
A atenção é a essência da contemplação. Estamos todos cientes, ou deveríamos estar, de quão fraca e infiel pode ser, a duração de nossa atenção. Por isso, precisamos de uma prática diária de meditação que esteja inserida na rotina de nossa vida privada. Não será pensando a respeito, ou mesmo desejando-a, que faremos crescer nossa capacidade de atenção, mas sim, pela prática. A ênfase que John Main dava à importância da simples disciplina diária da meditação, para as pessoas modernas, nunca pareceu tão sábia e necessária. A atenção purifica nossos corações e muda o mundo.
Compreendemos isso, a partir do abençoado alívio que sentimos em nossas afições pessoais, quando alguém nos concede sua genuína atenção, ao dela mais precisarmos. A compaixão é o primeiro fruto da atenção. É a vida que flui a partir da morte do egoísmo.
Em seus anos ocultos em Nazaré, Jesus “cresceu grande e forte”, sob a atenção amorosa de seus pais - esta é a única descrição física que os Evangelhos nos dão dele. Se vamos, também, crescer em espírito, haverá de ser pelo fortalecimento de nossa capacidade de atenção. O mantra incorpora, nele mesmo, esta prática, como um ato de fidelidade e amor, realizado no centro mais profundo de nosso ser, onde somos capazes de atenção, isto é, do mais profundo local, de onde podemos orar. Não há paz a ser encontrada nesta vida, a não ser no contínuo aprofundamento deste ponto de consciência. A atenção é oração. Ela se manifesta não apenas nos níveis mais escondidos do não saber, onde a semente do reino germina "sem que saibamos como", mas, também, nas decisões e na solução dos problemas de nossa vida cotidiana. Então, o silêncio, a imobilidade e a simplicidade, se tornam elementos reais da maneira como vivemos cada dia, vivificados em esperança e compaixão, por meio da vida de Cristo.
Assim como toda a vida e evolução da vida, a encarnação diz respeito ao equilíbrio. O espírito é o fio da navalha da vida. É a lâmina que corta os nós da ignorância e do medo e, que é afiada pela ação amoladora da atenção. Ouvir o mantra, com atenção, reduz gradualmente a freqüência e a intensidade dos pensamentos e impulsos que nos distraem. Isso dá nova forma, ao que o ego deforma. Passamos a repetir o mantra, para reverberá-lo e ouví-lo com atenção cada vez mais refinada, mais sutil e, mais dedicada. Isso nos alinha à freqüência do Espírito Santo que atravessa todo instante de tempo e toda célula de vida. Em seu silêncio e imobilidade, está a nossa força. |