| "Caríssimos Amigos" -
Leitura
de 25/10/2009 Christian Meditation Newsletter, Vol. 33, No. 3, Set. 2009, pgs. 3 a 6. Tradução de Roldano Giuntoli |
Aquilo que dá direção à jornada espiritual, e nos impulsiona para crescermos além dos nossos limites, é a prática e não a privação. Em um estilo de vida ruidoso e hiperativo, mergulhado nos rumores midiáticos e bombardeado por invasões visuais, os períodos meditativos da manhã e da noite, purificam e recarregam nosso silêncio. A atenção é a força do silêncio. Ele se fortalece através da prática regular e moderada. [...] A verdadeira natureza do silêncio é a de que sua maneira de ver penetra além da superfície aparente do objeto de que se ocupa. Em vez disso, nos tornamos um com o mesmo. À medida que paramos de pensar a seu respeito, passamos a ser com ele. De modo muito desafiador para a mente moderna, Ramana dizia que o silêncio é a ausência de pensamento. Porém, nosso estilo de vida contemporâneo e as instituições que nos monitoram, não valorizam muito o silêncio. A própria natureza do silêncio faz com que seja fácil perdê-lo, sem que sequer o tenhamos realizado. Quanto mais você se distrai, menos pode perceber que não está prestando atenção. Quanto mais estímulos exteriores ocupam a mente, menos percebemos ter perdido amplidão interior. Quando, afinal, percebemos que algo está errado, ou que algo está faltando, nos esforçamos para dar um nome a isso. [...] Aprender a silenciar envolve desviarmos nossa atenção de nós mesmos, ao menos na maneira com que nós costumeira e compulsivamente pensamos sobre nós mesmos, olhando por sobre os ombros, ou perscrutando o horizonte. O que é que eu deveria fazer? Como poderei ser mais feliz? Sou um fracasso, ou um sucesso? O que é que as pessoas pensam a meu respeito? Tenho tudo sob controle? Normalmente, perguntas assim determinam nossas decisões e os padrões de nosso crescimento ou declínio. Cada pergunta surge de uma percepção da própria identidade, que se auto-objetifica, e que tem, é claro, um papel pragmático necessário a representar na vida... Todavia, muito facilmente, essas questões podem se transformar na predisposição dominante da mente, a partir da qual vivemos o tempo todo. Tornamo-nos seus escravos. Como nos vemos a nós mesmos (o ego tal como uma câmera de circuito interno que capta todos os gestos e todas as palavras), e como as outras pessoas nos vêem (a sensação de estarmos sendo avaliados e considerados insuficientes), geram, com a ajuda dos meios de comunicação, uma obssessão cultural com a autoimagem. Sem alteração e sem uma análise crítica, ela destrói a confiança no verdadeiro eu, que nos capacita a nos arriscarmos e a nos doarmos, em outras palavras, a viver. [...] Durante minha visita à Noruega neste verão eu nadei, num dia glorioso, em um fiorde de Oslo. Não gosto de água fria, e assim experimentei-a com os dedos do pé, achando-a fria demais para o meu gosto. Porém, envergonhado pela bravura de meu companheiro Viking que já havia nela mergulhado, reuni minhas forças e o segui. O frio explodiu em minha mente, uma agonia momentânea, mas que então, à medida que continuei a nadar e a temperatura de meu corpo se ajustou, afinal transformou-se em algo delicioso. Todos temos medo de mergulhar; encontramos desculpas para evitar a quietude sentada, fugindo do nascente silêncio. Todavia, quando por fim nos tornamos silentes, a vida explode com um frescor e uma pungência que é a energia da vida de Cristo. Num instante, os temores, os preconceitos, e as autoconstruídas prisões da condição humana, começam a desmoronar. Um meio de nos referirmos a isso, é o de irmos para nosso aposento interior, tal com o nos diz Jesus. Todavia, ao adentrarmos esse aposento, descobrimos que nos movimentamos através de espaço ilimitado. |
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Medite
por Trinta Minutos |
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