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"Meditação"
- Leitura
de 09/03/2008
JESUS,O MESTRE INTERIOR (Martins Fontes, São Paulo 2004), pgs. 277-278.
Tradução de Roldano Giuntoli
No Sermão da Montanha, Jesus identificou as preocupações materiais como nossa principal fonte de ansiedade. Como podemos nos sentir mais confortáveis e reduzir o sofrimento pessoal? Esta é a maior preocupação que obscurece o momento presente e rompe as verdadeiras prioridades.
"Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento e o corpo mais do que a roupa?" Mt 6:25.
Quando ele diz para não nos preocuparmos, Jesus não está negando a realidade dos problemas diários. Está nos dizendo para abandonarmos a ansiedade e não a realidade. Aprender a não se preocupar é uma tarefa difícil... a despeito de seu 'distúrbio-deficiência de atenção', até a mente moderna também tem sua capacidade natural de ficar tranqüila e transcender suas fixações. Na profundidade, ela descobre sua própria clareza quando está em paz, livre da ansiedade. A maioria de nós tem cerca de meia dúzia de ansiedades favoritas, como doces amargos que mastigamos infinitamente. Ficaríamos assustados se nos livrássemos delas. Jesus nos desafia a superar o medo de abrir mão da ansiedade, o medo que temos da própria paz. A prática da meditação é uma forma de aplicar seu ensinamento à prece; ela prova, por meio da experiência, que a mente humana pode realmente optar por não se preocupar.
Isto não significa que podemos anular facilmente a mente e afastar todos os pensamentos segundo nossa vontade. Na meditação, permanecemos distraídos e, contudo, livres da distração, porque - por mais minimamente que seja a princípio - estamos livres para optar por onde colocar nossa atenção. Gradualmente, a disciplina da prática diária fortalece essa liberdade. Seria pueril imaginar que conseguiremos plenamente esta liberdade a curto prazo. Permanecemos distraídos por muito tempo.
Logo nos acostumamos com as distrações como companheiras de viagem no caminho da meditação. Mas elas não têm que predominar. Optar por dizer o mantra com fé e voltar a ele sempre que as distrações intervêm, exercita a liberdade que temos de prestar atenção. Não se trata de uma escolha no sentido de optarmos por uma determinada marca na prateleira do supermercado. É a opção pelo compromisso. A recitação do mantra é um ato de fé, e não um deslocamento do poder do ego. Em cada ato de fé existe uma declaração de amor.
A fé prepara o terreno para que a semente do mantra germine no amor.
Não criamos um milagre de vida e crescimento sozinhos, mas somos responsáveis por seu desenvolvimento. Chegar à paz da mente e do coração - ao silêncio, à tranqüilidade e à simplicidade - não exige a vontade de um campeão, mas a atenção incondicional e ininterrupta, bem como a fidelidade de um discípulo.
Laurence Freeman OSB |
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Medite
por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os
olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente,
comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração
"Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração
Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia,
suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem
de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens
afluírem à mente, trate-os como distrações
e simplesmente retorne à repetição da palavra.
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