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"Carta
Oito" e "Carta Um," Laurence Freeman, OSB - 02/09/2007
COMMON GROUND (New York: Continuum, 1998),
pgs. 95-96, pg. 17.
No capítulo
sobre "os instrumentos das boas obras", São Bento alerta seus monges
para não desejar ser tido como santo antes que o seja realmente. A
ironia, é claro, está em que, quando alguém se torna verdadeiramente
santo, ele não mais desejará ser tido como santo. Ou, qualquer coisa
que o valha. Enquanto estivermos preocupados com a honra que as pessoas
deveriam nos dedicar, com os bons pensamentos e palavras a nosso respeito,
isso é um boa prova de que ainda nos falta um longo caminho. E, existem
poucos de nós que não gostam que outros pensem bem a seu respeito.
Poucos de nós gostam de ter seus nomes menosprezados, seja justa,
ou injustamente. Poucos de nós, são como os padres do deserto, que
enxergavam proveito em serem acusados injustamente, pois isso lhes
dava a oportunidade de amar seus inimigos, bem como, os protegia do
perigo muito pior, do orgulho e de se vangloriar das boas opiniões
de terceiros a respeito de si mesmos.
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Crescemos
em santidade, ao cuidarmos da "honra que nos vem apenas daquele que
é Deus". Cuidar é amar, voltar-se para. A honra que vem de Deus é a
dignidade de nossa verdadeira natureza, nossa bondade essencial e inalienável,
que nos torna a todos, afinal, perdoáveis. Cuidar disso, significa mergulharmos
na santidade daquele que só é santo. Cada vez que voltamos para o ritmo
espiritual da vida, voltamos à sua fonte original, nos fortalecemos
em santidade. [. . . . .]
[Mas] a
santidade requer coragem, aquela coragem que nasce da solitude. Até
que essa coragem surja, não poderemos alcançar o objetivo que faz com
que tão profundamente nos esforcemos e sintamos sede. Até que estejamos
conscientes de participar por direito, da comunidade de Deus e do universo
de Deus, não poderemos desfrutar nenhum grande shalom. Obediência a
convenções e regulamentos religiosos, não são manifestações de santidade
em si mesmas. Elas são preparatórias, para uma experiência que se desdobra
na vida e nos relacionamentos, que se expressa acima de tudo, em compaixão
e amizade ilimitada. Em si mesma, é um abrir dos olhos do coração. Remove
a película de ignorância que obscurece a epifania da verdadeira natureza
da realidade.
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