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Caríssimos Amigos

WCCM International Newsletter, Vol. 32, Nr. 3, Setembro de 2008, pg. 4.

Enxergarmos a realidade tal como ela é, ou ao menos, nos libertarmos progressivamente de alguns dos filtros, representa um dos maiores atos de fé. Ele expressa a face confiante da fé, pois nosso apego às crenças e rituais de nossa tradição (mais do que nos próprios rituais e crenças) se transforma em uma segurança falsa e falsificante. E assim, muitas pessoas profundamente religiosas sentem uma aversão ou antipatia à meditação, pois ela parece (e na realidade ela o faz) minar as fronteiras seguras que protegem nossa visão de mundo e, nossa sensação de sermos mais elevadamente diferentes dos outros.
Um caminho de fé, entretanto, não é uma adesão teimosa a um ponto de vista, e aos sistemas de crenças e tradições rituais que o expressam. Isso faria dele apenas ideologia ou sectarismo, e não fé. Fé é uma jornada transformadora, que demanda que nos “mudemos”, para além e através de nossas estruturas de crenças e de nossas observações exteriores, sem trair ou rejeitar as mesmas, mas, também, sem nos deixarmos capturar pelas armadilhas de suas formas de expressão. São Paulo falou do Caminho da salvação como se iniciando e terminando na fé. Fé é, assim, uma finalidade-aberta, desde o verdadeiro início da jornada humana. É natural que precisemos de uma estrutura, um sistema e tradição. [Porém] caso estejamos centrados neles, de maneira estável, desdobrar-se-á o processo da mudança e nossa perspectiva da verdade crescerá continuadamente.


Texto original em inglês

 

An excerpt from “Dearest Friends,” Laurence Freeman OSB in the Newsletter of the World Community for Christian Meditation, Vol 32, No. 3, September 2008, p. 4.
To see reality as it is, or at least to free oneself progressively of some of the filters, is a major act of faith. It expresses the trusting face of faith because our attachment to the beliefs and rituals of our tradition (rather than the beliefs and rituals in themselves) become a false and falsifying security. And so, many deeply religious people feel an aversion or antipathy to meditation because it seems to (and indeed does) undermine the secure boundaries that protect our world view and our sense of being superiorly different from others.
A way of faith, however, is not a dogged adherence to one point of view and to the belief systems and ritual traditions that express it. That would make it just ideology or sectarianism, not faith. Faith is a transformational journey that demands that we move in, through and beyond our frameworks of belief and external observances—not betraying or rejecting them but not being entrapped by their forms of expression either. St Paul spoke of the Way of salvation as beginning and ending in faith. Faith is thus an open-endedness, from the very beginning of the human journey. Naturally, we need a framework, a system and tradition. [But] if we are stably centered in these, the process of change unfolds and our perspective of truth is continuously enlarged.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.