Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Encontro com o Outro

LIGHT WITHIN: The Inner Path of Meditation (New York: Crossroad, 1989), pgs. 65-67

Toda vez que nos voltamos na direção de outra pessoa, todo relacionamento de nossa vida constitui-se em um encontro com o Outro à imagem do qual somos feitos, cada vez mais profundo.


Sempre que nos permitimos vivenciar isso, que é o que fazemos quando meditamos e quando amamos, descobrimos que nosso medo só pode ser definitivamente banido através do próprio encontro e, que quanto mais profundo for o encontro, será cada vez menor o medo que sobrevive a ele. . . Até que tenhamos a coragem de encarar e encontrar o outro, não nos teremos encontrado, ainda. Até lá, seremos sempre outro, para nós mesmos. É este o estado do egoísmo, o de sermos um estrangeiro para nós mesmos. Nesse estado, todos os demais estão em oposição a nós mesmos, opostos a nós. Vivenciamos a tristeza, a desconfiança e, a violência. O primeiro passo para sair desse inferno, é o de termos a coragem de nos encontrarmos como nós mesmos. Nenhum de nós conseguiria fazer isso, através de nossos próprios recursos interiores. Não fosse pela intercessão do amor de Deus, estaríamos para sempre não redimidos. O destino que nos conduziu à meditação e, ao entendimento das relações de amor, que são a encarnação de nosso encontro com Deus, é o sinal de seu amor redentor em nossas vidas.


Ao meditarmos, aprendemos a deixar para trás todas as imagens que fazemos de nós mesmos, pois essas imagens são estranhas a nosso verdadeiro ser. São como rótulos imprecisos. Essa nossa auto-análise que rotula, que pensa ser tão esperta, nos separa do conhecimento do verdadeiro ser e, do redentor encontro com a realidade. Nos aprisionamos na consciência do si mesmo. Só precisamos compreender que fomos libertados e, que a perfeita liberdade se alcança nas profundezas de nosso espírito, na liberdade do Cristo, a liberdade de seu amor puro. Se apenas pudermos aprender a ser simples, a aceitar o presente que foi livremente doado e, a sermos fiéis a esse dom, poderemos nos voltar para essa realidade. Se aprendemos a repetir o mantra, ele nos ensina como amar e, nos ensinará como nos expandirmos para além das imagens de nós mesmos, para a realidade de nosso ser, que é uno com a realidade do Cristo. Nos ensinará a sermos nós mesmos e, a conhecer a felicidade de estar em comunhão.

 



Texto original em inglês

Meeting the Other
Laurence Freeman OSB
LIGHT WITHIN: The Inner Path of Meditation (New York: Crossroad, 1989), pp. 65-67

Every relationship of our life, every turning towards another, is an ever-deepening encounter with the Other in whose image we are made.

When we allow ourselves to experience this, which we do when we meditate and when we love, we discover that our fear can only finally be dispelled by the encounter itself and that the deeper the encounter each time, the less fear survives it. . . Until we have had the courage to face and encounter the other we have not yet found ourself. Until then we are always other to ourself. We are a stranger to ourself. This is the state of egoism, being an alien to our own self. In that state all others are opposite to us, opposed to us. We experience sadness, mistrust, and violence. The first step out of this hell is to have the courage to encounter ourself as ourself. By our own inner resources none of us could do that. We would be forever unredeemed if it were not for the intervening love of God. The destiny that has led us to meditate and to know the relationships of love that are the incarnation of our encounter with God is the sign in our lives of his redemptive love.

When we meditate we learn to leave all images of ourself behind because the images are strangers to our real self. They are like inaccurate labels. Our labeling self-analysis, which thinks to be so clever, isolates us from the knowledge of the real self and from the redemptive encounter with reality. We imprison ourselves in self-consciousness. We have only to understand that we have been liberated and that perfect liberty is achieved in the depth of our spirit in the liberty of Christ, the liberty of his pure love. We can turn to that reality if only we can learn to be simple, to accept the freely given gift and to be faithful to the gift. If we learn to say the mantra it teaches us how to love, and it will teach us how to expand beyond all images of ourself into the reality of ourself as one with the reality of Christ. It will teach us to be ourself and to know the joy of being in communion.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.