Um Novo Monaquismo

Leitura de Domingo, 28 Julho 2019
John Main, OSB

John Main, extraído do livro Monastery without Walls (London, Canterbury Press, 2007), pgs. 25-26.

Ao falarmos com Deus, frequentemente, estamos falando de nós mesmos: ajude-me a fazer isso, a ser aquilo. Por mais altruísta que possa ser a intenção por trás disso, a própria estrutura da linguagem nos mantém no centro de nossa consciência. Isso se aplica também a todo aquele que não tem uma referência religiosa estruturada, mas, cuja prática espiritual se refere a si mesmo. Mesmo que a pessoa não se utilize de palavras, nem mantenha nenhuma imagem de Deus, e não esteja pedindo favores, é igualmente grande o perigo da fixação em si mesmo. É disso que devemos nos desapegar de modo a mergulhar mais fundo. Na jornada, não há parada, nem possibilidade de ficar à deriva. Se nos tornarmos espiritualmente complacentes, cairemos de volta a nosso próprio centro de gravidade. Seremos atraídos de volta à órbita do ego que se auto reflete. Meditamos para evitar esse desmoronamento em nós mesmos, e para nos mantermos alertas e despertos. À medida que nos movemos em direção à união com aquele centro, passamos a conhecer a Deus por meio da luz divina. O nome desse movimento é amor, e a experiência dele é uma progressiva perda do eu, e da autoconsciência. [...]
Nosso período de prece deve ser um compromisso com a mais plena abertura de que somos capazes: abertura para a realidade da presença, não para as “imaginações vãs” da grande ilusão de permanência independente a que chamamos ego. Trata-se de uma ilusão porque o Eu verdadeiro não tem imagem. Ele é consciência plena e indiferenciada.
A consciência humana está limitada e fraturada pela imagem falsa, a sombra do ego. Ela atinge a plenitude por meio da luz de Cristo, em quem não há sombra, nenhuma objetificação da separatividade do ser que possa lançar sombra.

 

original em inglês

An excerpt from John Main, “A New Monasticism” in MONASTERY WITHOUT WALLS:  The Spiritual Letters of John Main (London: Canterbury Press, 2007) pp. 25-26.

So often when we talk to God we are talking about ourselves—help me to do this, to be that. However altruistic the basic intention behind this may be, the very structure of the language keeps us as the centre of our own consciousness. This is also true for those who may have no religion frame of reference but whose spiritual practice is self-referential. Even if they use no words or hold any image of God and are not asking for favors, the danger of self-fixation is as great. It is this we must let go of in order to move deeper. There is no standing still on the journey, no drifting. If we become spiritually complacent, we fall back into our own centre of gravity. We are drawn back into the orbit of the self-reflecting ego. It is to avoid this collapse into ourselves and stay alert and awake that we meditate. In meditation, God the mystery is always at the centre. As we move into union with that centre, we come to know God by the divine light. The name of this movement is love and the experience of it is a progressive loss of self and self-consciousness. [. . . .]

[O]ur time of prayer must be committed to the fullest openness that we are capable of---openness to the reality of presence, not to the “vain imaginings” of the the great illusion of independent permanence we call the ego. It is an illusion because the true self has no image. It is full, undifferentiated consciousness.

Human consciousness is limited and fractured by the false image, the shadow of the ego. It is made whole by the light of Christ in whom there is no darkness, no objectification of separateness of being that can cast a shadow.