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Quarta Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Quarta Semana do Advento 2018

Lucas 1, 39-45
‘Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?’

Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!

 

Os Evangelhos das últimas três semanas tiveram um elenco masculino, refletindo o mundo, dominado pelos homens, da cultura do Oriente Médio, no qual nasceria o tão esperado Jesus. Este evangelho muda completamente para o mundo das mulheres, para duas mulheres grávidas que aprenderam o significado do Advento - esperar, orar e ter suas mentes transformadas.

São Lucas é, para sua época, surpreendentemente, talvez unicamente, sintonizado com mulheres, pobres, marginais e crianças – ou seja, com todos aqueles que, no mundo de seu tempo, eram normalmente negligenciados ou desvalorizados. Sua atenção para com eles reflete as boas novas de Jesus de que à luz de Deus, simplesmente não há marginais, não há segunda classe, não há grupos descartáveis. Nossa preocupação contemporânea - no que resta da democracia liberal - com minorias, igualdade de direitos para as mulheres, e justiça econômica também pode - ainda que com menor profundidade de compreensão -, refletir essa sabedoria da igualdade universal. Assim, mesmo que a natureza não seja justa na maneira de distribuir seus dons, os seres humanos podem ser justos na maneira como protegem e respeitam os menos afortunados.

Apesar das diferenças culturais, a justiça é um instinto inato que emerge da bondade essencial da natureza humana. Essa bondade é Deus, e revela a capacidade do ser humano ser divinizado, assim como a criança que pulou no ventre de Isabel, na presença do embrião em Maria, dá testemunho da capacidade divina de se tornar carne. No Advento, podemos não saber se estamos chegando a Deus ou se Deus está vindo para nós e a conclusão deve ser que ambos os movimentos são inseparáveis.

Séculos de pinturas da Visitação mostram o abraço da jovem Maria e da mulher mais velha, Isabel. Quando João, o filho de Isabel, pulou, Maria, sua parenta, ouviu outra declaração do significado de seu próprio filho. Novamente ela não diz nada, mal entendendo alguma coisa do mistério em que foi envolvida.

Na Anunciação, Maria apenas disse “Sim”. Nas histórias do nascimento, do exílio e do retorno a Nazaré, ela fica em silêncio. Ela repreende o menino Jesus por causar ansiedade quando ele desaparece no Templo e ela fala com ele na festa de casamento. Fora disso, sua presença luminosa nos evangelhos é silenciosa, consciente, preocupada, comprometida mesmo aos pés da Cruz, com aquele que ela e o mundo haviam esperado. Seu silêncio na presença do mistério é o modelo de contemplação para o nosso próprio tempo, que muitas vezes oscila entre reducionismo e superstição.

É claro que sabemos pouco ou nada das origens históricas de histórias simbólicas como essas, e nunca saberemos. Mas isso não nos faz menos capazes de sermos despertados e comovidos pela realidade que expõem. A mente do Advento é holística, aberta a profundos e belos símbolos evocativos que transmitem a verdade intuitiva e diretamente. Sentimos algo pular em nós, mas ainda não conseguimos vê-lo completamente.

O advento, afinal, é sobre gestação, a experiência de uma presença invisível no ventre do nosso espírito. Isso é poderoso em si mesmo - assim como nossa meditação silenciosa, na qual o processo de crescimento é geralmente conhecido apenas através de seus frutos. O nascimento é outro estágio da auto-revelação da realidade, provando o que sabíamos sem saber. Entretanto, mesmo o nascimento não resolve a questão, pois amplia ainda mais o mistério.


 

Original em inglês

Fourth week of Advent

Luke 1:39-44
Why should I be honoured with a visit from the mother of my Lord?

Mary set out and went as quickly as she could to a town in the hill country of Judah. She went into Zechariah’s house and greeted Elizabeth. Now as soon as Elizabeth heard Mary’s greeting, the child leapt in her womb and Elizabeth was filled with the Holy Spirit. She gave a loud cry and said, ‘Of all women you are the most blessed, and blessed is the fruit of your womb. Why should I be honoured with a visit from the mother of my Lord? For the moment your greeting reached my ears, the child in my womb leapt for joy. Yes, blessed is she who believed that the promise made her by the Lord would be fulfilled.’


The gospels of the past three weeks have had a male cast, reflecting the male-dominated world of the middle-eastern culture into which the long-awaited Jesus would be born. This gospel shifts completely to the world of women and two expectant women who have learned Advent – to wait, to pray and to have their minds changed.

St Luke is, for his time, unusually, maybe uniquely attuned to women, the poor and marginal and children – all those in the world of their time who were habitually overlooked or devalued. His attention to them reflects the good news of Jesus that seen in the light of God there simply are no marginal, no second-class, no disposable groups. Our contemporary concern - in what is left of liberal democracy – for minorities, equal rights for women and economic justice can also, even if at less depth of understanding, reflect this wisdom of universal equality. So, even if nature is not fair in the way it hands out its gifts, humans can be just in the way they protect and respect the least fortunate.

Despite cultural differences, justice is an inborn instinct arising from the essential goodness of human nature. This goodness is God. It reveals the capacity of the human to be divinised just as the child that leapt in Elizabeth’s womb in the presence of the embryo in Mary’s testifies to the divine capacity to become flesh. In Advent, we may not be sure whether we are coming to God or God is coming to us and the conclusion must be both movements are inseparable.

Centuries of paintings of the Visitation show the girl Mary and the older woman Elizabeth embracing each other. When John, Elizabeth’s child leapt, Mary her kinswoman heard another declaration of the meaning of her own baby. Again she says nothing, barely understanding anything of the mystery she has been engulfed in.

At the Annunciation Mary only said yes. In the stories of the birth, the exile and the return to Nazareth, she is silent. She rebukes the boy Jesus for causing her anxiety when he disappears in the Temple and she speaks to him at the wedding feast. Otherwise her luminous presence in the gospels is silent, conscious, concerned, committed even at the foot of the Cross, to the one she and the world had waited for. Her silence in the presence of mystery is the model of contemplation for our own time that often veers between reductionism and superstition.

Of course we know little or nothing of the historic origins of symbolic stories like these and we never will. But we are no less capable of being awakened and moved by the reality they expose. The Advent mind is holistic, open to profound and beautiful, evocative symbols that convey truth intuitively and directly. We feel something leap in us but we can’t yet see it fully.

Advent after all is about gestation, the experience of an unseen presence in the womb of our spirit. This is powerful in itself – as is our quiet meditation in which the process of growth is largely known only through its fruits. Birth is another stage of reality’s self-revelation proving what we knew without knowing. But even birth doesn’t settle the matter because it opens the mystery even wider.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.